Mox in the Sky with Diamonds

segunda-feira, setembro 28, 2009

ERRO INDIVIDUAL PREJUDICOU O GRÊMIO

SEI QUE HÁ muitos amigos insatisfeitos com Paulo Autuori e a postura do Grêmio. Eu não vejo da mesma forma. Basta ouvir Autuori para ver que está acima de pelo menos 90% dos técnicos nacionais. Quem deveria assumir seu lugar? Renato Gaúcho? Geninho? Nelsinho? Joel Santana? Vadão? Cuca? Leão? Bonamigo? A maioria desses treinadores oscila entre vários fracassos e um ou outro trabalho bem sucedido, geralmente por sorte de ter um elenco que encaixa, mas têm sérias limitações que não cansam de aparecer. Já Autuori pode irritar por não compartilhar dos ideais gremistas (garra, raça, imortalidade), mas é bom treinador. Seu estilo, no entanto, é oposto ao de Celso Roth: enquanto este tira todo gás da sua equipe no início, geralmente disparando na tabela, a tendência dos times do Autuori é crescer com o tempo, mais lentamente. O Grêmio já mostra isso.
Quando Autuori assumiu, o Grêmio não conseguia ficar com a bola mais que um minuto. O time só conseguia dar três ou quatro toques e ou perdia a bola, ou alçava para os atacantes. A principal - e única - jogada era a bola aérea lançada em diagonal na área, aproveitando a altura dos zagueiros ou, no final, do Maxi Lopes. Era um time com um buraco gigante no meio-campo. Agora o Grêmio toca a bola bem, tem organização e consistência. Mas paga um preço por isso. Enquanto o esquema de Roth funcionava fora de casa, quando jogávamos encolhidos e escapávamos em contra-ataques ou roubadas de bola no ataque, agora não conseguimos nos impor como precisamos para sustentar o estilo mais elaborado de jogo. O time que joga em casa fica com a bola; isso favorecia o esquema de Roth e dificulta o de Autuori. Apesar disso, as últimas partidas foram bem superiores às anteriores.
A razão do crescimento é uma: Fábio Rochemback. Ainda está jogando pouco e está acima do peso, mas sua entrada melhorou significativamente o meio-campo, substituindo o ineficaz Túlio, que fragiliza a marcação. Com Rochemback, ganhamos mais força no meio e isso permitiu soltar mais Tcheco e Souza, que ficavam desorientados entre marcação e armação fora de casa. Era visível que faltavam volantes; não é à-toa que sustentei várias vezes que deveríamos ter trazido Emerson. Aliás, uma boa direção teria trazido Paraíba, Emerson e Gilberto, e nosso time teria outra cara. Adílson não é ruim, mas ainda não se posiciona bem e tem muita dificuldade no ataque. Precisa melhorar, para a próxima temporada, seu chute de longa distância.
O Grêmio perdeu o jogo por uma falha individual de Thiego, que é fraco demais. Concordo com Autuori em não responsabilizar individualmente; se fosse treinador, faria o mesmo. Mas é visível que o lance foi tosco demais, que Thiego não tem mais condições no Grêmio. A "falta de pegada" que vários reclamaram se deveu ao calor de 40ºC em Goiás. Os jogadores estavam mortos. Aliás, se reclama de Autuori isso; é simples, a pegada não é treinador que determina, basta aos jogadores se esforçarem mais. Não precisa o técnico mandar o volante "pegar" o meia. Ele que vá lá e faça.
Em todo caso, sonhos para esse ano acho difícil. Melhor é apostar no crescimento da equipe para o ano que vem.

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sexta-feira, agosto 07, 2009


TUDO COM ELE

TODA RESPONSABILIDADE pela formação da equipe do Madrid agora está com Mauro Pellegrini, seu treinador. Florentino Perez cumpriu a promessa e fez um novo conjunto galáctico, contando com alguns dos melhores do mundo (só o Barça é páreo). Com as contratações de Kaká, Cristiano Ronaldo, Benzema, Raúl Albiol e Xabi Alonso, o Madrid ganha aquele toque que faltou nas temporadas passadas: a presença de jogadores que podem desequilibrar sozinhos partidas decisivas.
Já tinha percebido que com o plantel da temporada 2008/2009 era impossível competir em igualdade nos parâmetros continentais. O único jogador de exceção era Arjen Robben, e ainda assim o ponta-esquerda holandês é discutível. O que o Madrid não tinha nas temporadas anteriores -- opções de banco, jogadores jovens -- então sobrava; o que tinha antes -- grandes craques --, visivelmente faltava. E faltou.
Hoje, o Real Madrid manteve sua base e contratou grandes reforços. Kaká e Cristiano dispensam apresentação. Benzema pode ser um grande centroavante, dividindo a posição com o sempre efetivo Nistelrooy (que é uma incógnita por voltar de lesão). A suspeição de que Perez não traria volantes e zagueiros não se confirmou: contratou Xabi Alonso, excelente meio campo do Liverpool, e Albiol, zagueiro do Valencia e da seleção espanhola. A equipe que eu montaria (mas provavelmente não será assim) seria: Casillas; Ramos, Pepe, Albiol e Marcelo; Xabi Alonso e Gago; Ronaldo, Kaká e Robben; Benzema. No 4-2-3-1.
O importante, no entanto, não é tanto qual o esquema, mas a capacidade de Pellegrini de montar uma clara espinha dorsal na equipe que faça com que tenha um claro estilo de jogar, de modo a, quando houver substituições, o reserva já saiba sua posição. Com isso, a tendência é que o Madrid alcance o nível do Barcelona e lute por todos os títulos. Jogadores como Higuaín, Drenthe, Sneijder, Gago e Marcelo podem crescer bastante, já que são ainda bastante jovens. E o elenco ainda conta com os esforçados Lass, Diarra, Metzelder, entre outros, para completar. Sem falar em Guti e Raúl, cuja titularidade parece ter ficado bastante distante, mas que como jogadores de plantel podem fazer um belo serviço.
Tudo indica que, se Pellegrini acertar o alvo, teremos uma temporada em que os espanhóis retomarão a hegemonia perdida para os ingleses nas últimas temporadas.

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sexta-feira, julho 17, 2009

TRABALHO DE AUTUORI COMEÇA A APARECER

NA MÍDIA DO CENTRO DO PAÍS, e talvez por provocação do ótimo Tostão e do bizonho Calazans, discute-se a importância do treinador para a equipe. Eu dou meu pitaco: é vital. Como todo respeito que merece Tostão, por melhores que sejam os jogadores, sem uma equipe eles não engrenam. E formar uma equipe é justamente o trabalho do treinador. Organizar os jogadores em campo é uma tarefa árdua, que exige criatividade, visão e conhecimento.
Por incrível que pareça, são poucos os treinadores no Brasil que sabem fazer o seu trabalho: organizar uma equipe. Quantos nomes péssimos não saltam de um clube a outro enganando: Geninho, Nelsinho, Joel Santana, Jair Picerni, Vadão e tantos outros não conseguem sequer ter uma espinha dorsal nas suas equipes. Por isso técnicos médios como Celso Roth, Cuca, Caio Jr e Leão conseguem ter algum destaque no cenário nacional, apesar de terem claros defeitos.
O Grêmio de Roth era organizado, mas tinha um defeito crônico: não tocava a bola. A bola fugia em segundos dos pés gremistas. Era ou lançamento longo, ou cruzamento já da intermediária. Os atacantes minguavam e os meios tinham que partir para a jogada individual, não raro cruzando todo campo com a bola. Embora organizado defensivamente, o Grêmio não conseguia atacar com consistência. Não existia tabela, aproximação, não se conseguia nunca "cozinhar" o adversário.
O trabalho de Autuori trataria de mudar isso. E já está mudando. Começam a ficar visíveis as aproximações, tabelas, ocupações de espaço -- enfim, o Grêmio começa a jogar futebol. Resultado: não só os meias subiram de produção, como também empurraram para cima os laterais (Fábio Santos) e os atacantes começaram a desencantar. Estamos evoluindo.

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terça-feira, maio 12, 2009


CHEGA DE 3-5-2

VINHA ADVERTINDO aqui sobre as conseqüências da lentidão e incompetência da Direção em contratar logo um treinador, ou pelo menos sinalizar claramente quem seria o próximo. Perdemos um mês em que a equipe poderia ser organizada e inclusive modificada. Infelizmente, o Grêmio de Rospide (que não é técnico) é desorganizado e apenas bateu equipes fracas. A defesa está mal postada, os alas não rendem nada, o meio-campo é um buraco e ficamos dependendo exclusivamente de jogadas individuais do Souza (que até o momento resolveram).
Está mais do que na cara que acabaram as razões para o 3-5-2. Rafa Marquez é um zagueiro médio e fica melhor como opção, já que o Léo voltou a jogar bem. Ruy apóia bastante, mas tem sido pouquíssimo efetivo. Cruza mal, desperdiça jogadas e se posiciona muito errado, quase sempre muito à frente deixando uma vala no setor direito defensivo gremista. Fábio Santos é apenas mediano e, por isso, não justifica ser ala. É lateral. Além disso, os fracos desempenhos de Tcheco -- como ele mesmo declarou hoje -- são claramente devidos ao sacrifício imenso que ele vem desempenhando ao estar em posição incompatível com sua técnica (sub-aproveitado) e preparo físico.
Está mais que na hora de o Grêmio voltar a jogar com uma linha defensiva de quatro jogadores e repovoar seu meio campo, colocando Túlio como titular e Adílson de segundo volante. As variações a partir disso são múltiplas: jogar no 4-4-2 em forma de losango, com Souza como "1" próximo do ataque; no 4-4-2 clássico, com Tcheco e Souza armando; no 4-3-3, colocando Souza na ponta direita e Herrera na ponta esquerda (no 4-3-3 moderno, os pontas voltam para marcar, é claro); etc. Não interessa. O que está claro é que Túlio ou Makelele tem que entrar para fortalecer o meio e liberar Tcheco, dando mais opções de jogo ao time.
Para terminar, não consigo entender a titularidade do Jonas. Ele estava jogando bem e por isso ficava na equipe. Ok. Mas não está mais. E, dos que restam (Herrera, Alex), é melhor apenas que Reinaldo e Perea. Não há qualquer razão para mantê-lo na equipe. É uma boa opção. Eu arriscaria Alex e Maxi Lopes, pela visão de jogos e assistências que costuma fazer o Mineiro. Sem descartar a opção de colocar o Herrera como ponta, tal como, por exemplo, o Corinthians vem jogando. Mas para Jonas não tem explicação.

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sábado, maio 09, 2009

SELEÇÃO DA TEMPORADA EUROPÉIA 08/09



IKER CASILLAS (REAL MADRID) -- ninguém jogou tanto quanto o goleiro do Real Madrid. Sem ser devidamente ajudado pela sua equipe, segurou muitos resultados e mostrou - no ocaso de grandes nomes como Buffon e Cech -- se o melhor embaixo das traves;

MAICON (INTER DE MILÃO) -- o lateral brasileiro mostrou força, combatividade, arranque, marcação e se transformou na principal arma por um certo período na Inter de Milão;



VIDIC (MANCHESTER UNITED) -- a muralha sérvia está merecendo há tempos o reconhecimento o Manchester. Com ele, a defesa se tornou quase intransponível e Ferdinand, até então zagueiro instável, se tornou seguro. Vidic é um zagueiro completo;

TERRY (CHELSEA) -- o que dizer desse? Manteve o grande nível dos anos anteriores e continua sendo uma fortaleza na poderosa defesa do Chelsea. Forte, raçudo, arrojado e bem posicionado;

EVRA (MANCHESTER UNITED) -- embora não me convença como "craque", é atualmente o melhor da posição, inclusive melhor que Ashley Cole. Apóia bem e foi muito eficiente na marcação de Walcott contra o Arsenal nas semi-finais da Champions;



XAVI (BARCELONA) -- o grande meia do Barcelona e da seleção espanhola marca, arma, distribui, passa, chuta e ultrapassa. Com visão espetacular da partida, capaz de cadenciar, acelerar ou encurtar o jogo, Xavi é o segredo e motor do Barcelona, funcionando como o municiador para os três poderores atacantes serem, atualmente, donos da artilhadoria mais mortal da Europa;

GERRARD (LIVERPOOL) -- grande temporada desse grande jogador, fundamental em partidas defesas, capaz de marcação, armação, chute de longa e curta distância, frio, arisco, capaz de surpreender o adversário e fundamental para o esquema de jogo do Liverpool;
CRISTIANO RONALDO (MANCHESTER UNITED) -- melhor do mundo na temporada passada, manteve, na medida do possível (a marcação sempre aumenta), o grande nível e seguiu sua trajetória de muitos dribles, arrancadas imparáveis, chutes potentes, assistências precisas e gols de todas as formas possíveis (tiros de curta, média e longa distância, faltas, cabeceio, etc.);



MESSI (BARCELONA) -- o melhor do mundo na presente temporada, simplesmente destruiu todos os seus adversários. Com habilidade e velocidade ímpar, o canhoto foi a força mortal que conduziu o Barça até seu estágio atual, tornando-se o jogador mais difícil de marcar e que atualmente está completo;



IBRAHIMOVIC (INTER DE MILÃO) -- já é hora de o FIFA reconhecer o sueco que carrega a Inter de Milão nas costas há três temporadas. Técnico, forte, capaz de lances lindíssimos e totalmente decisivo nas partidos, Ibrahimovic foi autor de muitos gols e transformou-se no grande astro do campeonato italiano, peça decisiva para a quase inevitável conquista da Inter do Calccio;

ETO'O (BARCELONA) -- Sacrifiquei a harmonia do equilíbrio em nome do ataque porque esta foi, realmente, a temporada mais ofensiva dos últimos anos. E Eto'o foi um grande artilheiro. Veloz, habilidoso, capaz de passar entre os dedos dos zagueiros, ele deixou sua marca na maioria das partidas e consolidou o Barça como grande equipe da temporada;

Técnico: Gus Hiddink (Chelsea) -- pegando a equipe um pouco atordoada com a saída de Felipão, Hiddink levou o Chelsea a lutar até o final pelo título da Champions, perdendo a vaga por detalhe para o Barcelona, sendo a única equipe que neutralizou a equipe catalã.




Equipe reserva: Júlio César (Inter), Daniel Alves (Barcelona), Alex (Chelsea), Lúcio (Bayern) e Fábio Aurélio (Liverpool); Essien (Chelsea), Iniesta (Barcelona) e Arshavin (Arsenal); Rooney (ManUnt), Pato (Milan) e Torres (Liverpool).
Técnico: Josep Guardiola (Barcelona).

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sexta-feira, maio 08, 2009

QUEM SERIAM MEUS 22 PARA A PRÓXIMA COPA HOJE?

1. Júlio César
2. Maicon
3. Juan
4. Lúcio
6. Fábio Aurélio
5. Hernanes
8. Lucas
11. Anderson
10. Kaká
7. Pato
9. Luis Fabiano
12. Rogério Ceni
13. Daniel Alves
14. Alex
15. Luisão
16. Marcelo
17. Ramirez
18. Júlio Baptista
19. Diego Souza
20. Robinho
21. Ronaldo
22. Victor

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quinta-feira, maio 07, 2009

PROPOSTA INDECENTE

Ronaldo no Corinthians, Adriano no Flamengo, Fred no Fluminense... por que não... Ronaldinho no Grêmio?

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segunda-feira, maio 04, 2009

TCHECO OU SOUZA?

A RBS (que mente) reverbera uma discussão que ganha cada vez mais adeptos na torcida do Grêmio: Tcheco ou Souza? Cada um já tem uma legião de adeptos.
Minha pergunta: por que "ou", se o Grêmio tem os dois?

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domingo, maio 03, 2009

MAIS UMA HUMILHAÇÃO

MAIS UMA VEZ o Madrid foi humilhado, desta vez mais que nunca, pelo Barcelona. A explicação da derrota é simples: o Barça é melhor. Desde a crise dos galácticos que começou em 2004, quando perdeu a final da Copa do Rei e foi eliminado pelo Monaco, jamais a equipe merengue encontrou um estilo de jogo sólido, consistente e reiterado. Suas vitórias vêm da casualidade de ter jogadores melhores do que as equipes (fracas) que enfrenta. Quando se depara com um time organizado, perde.
O que falta ao Madrid é uma espinha dorsal. Já tem vários jogadores que podem compor um bom time, mas falta humildade, treinamento, entrosamento e atletas capazes de decidir. Atualmente, o único diferencial que tem é o frágil holandês Arjen Robben. A aposta interessante em jogadores jovens (Higuain, Gago, Drenthe, Marcelo, etc.) também cobra seu preço. A falta de experiência aparece. Sem duas ou três contratações bombásticas, uma boa pré-temporada e idéias criativas na formatação da equipe, não vai adiante.

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terça-feira, abril 28, 2009

ZERO A ZERO

E A BOLA RODOU, rodou, rodou, mas o Barça não conseguiu marcar contra o Chelsea. Não via um time inglês tão encolhido há tempos. Com só Drogba na frente (Malouda era só um assessor do lateral Bosingwa contra a dupla mortífera Alves/Messi), o Chelsea resistiu. Ainda está tudo em aberto, mas os londrinos devem comemorar o bom resultado. Vão precisar vencer, pois é provável que o Barcelona ataque e faça gol. Será um belo jogo.
Mais uma exibição fascinante desse meia completo que é Xavi e seu companheiro Iniesta. Vi os dois começando, Xavi ainda instável, Iniesta um meia frágil, e hoje são jogadores verticais, que mesclam habilidade, técnica, visão de jogo e chute de longa distância. São ingredientes fundamentais no jogo do Barcelona. Além deles, Daniel Alves foi muito bem e, logo a seguir, Abidal, Henry, Eto'o e Messi (muito marcado). Aliás, para esse último é fundamental a conquista da Champions para levar o número 1 do mundo; mas, em todo caso, é normal que os maiores craques não apareçam especificamente nas finais, pois são muito marcados e abrem espaço para outros que chamam menos atenção.

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segunda-feira, abril 27, 2009

DIREÇÃO AFUNDANDO O GRÊMIO


É INACREDITÁVEL a indecisão da Diretoria do Grêmio acerca do técnico. Se a escolha é Paulo Autuori, que André Krieger VÁ LOGO até o oriente médio, verifique a possibilidade de contratação, salários e data, e decida logo. Se não der, que passe ao próximo da lista. Como é que esse imbróglio pode estar durando tanto tempo sem decisão? O que Krieger está fazendo enquanto decide isso? Está esperando o quê? O Grêmio está perdendo tempo!
Efetivar Marcelo Rospide parece o atestado máximo da incompetência dessa Direção amadora e que já nos faz ter saudade do discutível, mas competente, Paulo Odone. Ter um técnico sem nenhuma experiência na Libertadores é dose para mamute.
Uma vergonha. O Grêmio se encaminha para o náufrago.
PS: É vergonhoso o silêncio obsequioso da grande mídia acerca dos ETERNOS favorecimentos ao Flamengo na arbitragem. Ontem, o primeiro gol não foi pênalti e o Botafogo teve pênalti sonegado. É SEMPRE assim. O velho argumento de que "as arbitragens no final se compensam", que tem sua razão de ser e é freqüentemente invocado pela mídia crítica, NÃO se aplica ao caso, uma vez que SEMPRE se repete NAS FINAIS do campeonato carioca o favorecimento ao time rubro-negro. A imprensa crítica (da marrom nada se espera), inclusive gente de peso como Tostão, PVC e Juca Kfouri, parece não querer se queimar com a maior torcida do Brasil. Está na hora de falar a verdade.

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segunda-feira, abril 20, 2009

A DIFERENÇA ENTRE O GRÊMIO E O INTER É FERNANDO CARVALHO

PRONTO. Não tenho mais nada a dizer, a rigor. Clube vitorioso começa de cima, e o Inter está melhor que o Grêmio por lá. MUITO melhor. Daí uma hegemonia que vem se consolidando para minha raiva infinita.
Alguns podem dizer: mas o Inter tem o Nilmar, o D'Alessandro, Taison e Guiñazu? É verdade. Os dois primeiros são craques que o Grêmio não tem. Jogadores muito acima do nível no Brasil. Guiñazu é fundamental, mas é um jogador que se encontra, se bem procurado. Taison vamos ver ainda quando enfrentar equipes mais fortes. De qualquer forma, eles estavam aí ano passado, e ainda Alex. O que mudou? O Inter só engrenou quando Carvalho reassumiu o futebol. Aí o grupo estabilizou, as coisas retomaram os eixos e a baderna se organizou. Alguém já viu algum jogador do Inter referir o Piffero? É sempre a Fernando Carvalho, suas brincadeiras, apostas, discursos, que eles referem. Assim que Tite, que é um bom treinador, tenha retornado à boa fase. Tite, aliás, que era injustiçado até o momento, uma vez que foi para a "geladeira" após um bom trabalho no Corinthians, quando gente como Geninho, Paulo César Gusmão, Joel Santana, Vadão, Jair Picerni e outros ficaram dançando com as cadeiras e são bem inferiores.
Mas Tite, Nilmar, D'Alessandro, Taison e outros só trabalham bem porque têm segurança que vem de cima. Isso o Grêmio não tem. André Krieger não é um dirigente ruim -- fez inclusive bom trabalho ano passado --, mas a bagunça da gestão Kroeff é muito visível. Técnico dando informação desencontrada com a Direção, dirigente assumindo que interfere na escalação do time, jogador desafiando os superiores, declarações ridículas do alto comando, "planejamento" ininteligível, falhas na organização das viagens, panfletos patéticos, demora nas contratações (do técnico e dos jogadores). Atualmente, perdemos duas semanas de treinamento e ajuste da equipe pela indecisão da Direção. Autuori é bom técnico, mas, se não pode vir, não venha. Mais um episódio desastrado.
No futebol, uma Direção desastrada destrói até bons times. O Grêmio de 2003, por exemplo, era um belíssimo time. Falhou pela falta de qualidade dos dirigentes, que foram os campeões de declarações desastradas. O contraste com o marketing do Inter esse ano -- por sinal, DUDA KROEFF era o responsável pelo marketing no centenário -- foi avassalador. Acorda Duda! Ninguém agüenta mais essa "velha guarda" afundando o Grêmio. Tenho severas restrições a Paulo Odone. Mas era um dirigente de fibra, como Carvalho, capaz de mandar o time correr sem precisar dizer em público que interfere no trabalho do treinador. Kroeff é um lenga-lenga.

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sexta-feira, abril 10, 2009

"COM BASE NA EMOÇÃO"
CELSO ROTH afirma que o Grêmio o demitiu "com base na emoção", apenas porque perdeu 4 grenais, quando o planejamento para a Libertadores estava correto.
Nos últimos 20 anos, parece que o positivismo invadiu também o futebol. Ninguém mais quer falar de "emoção"; tudo deve ser racional, mecânico (palavra preferida de Roth), planejado, "científico".
Por óbvio nada tenho contra o estudo do futebol, como aliás nada tenho contra a ciência. O problema é reduzir uma coisa à outra. O lado "emocional" ou "místico" do futebol permanece, apesar de todas as robotizações que alguns técnicos tendem a imprimir. Talvez essa recusa da "emocionalidade" de Roth seja justamente seu maior erro: suas entrevistas eram sempre brutalmente frias, indiferentes, perfeitamente racionais. Mas o futebol não é. Ele depende de uma série de coisas que não são nem um pouco racionais, dentre elas (e vejam aqui o erro do Roth) a relação com a torcida. Ou alguém tem dúvida que a paixão pelo clube não tem nada a ver com a razão?
Os administradores do clube devem ser predominantemente racionais; como, aliás, acho que todos deveriam ser. No entanto, há momentos em que o "emocional" corta a razão e se impõe de forma avassaladora, sem que possamos fazer nada a não ser negociar com ele. São justamente os momentos da paixão, como quando nos apaixonamos por alguém, mesmo que a nossa razão nos diga que não é a pessoa certa. Nesse momento, o máximo que podemos fazer é negociar com a paixão. O mesmo se dá no futebol: o racional deve imperar, mas há momentos em que a "mística" é essencial. O racionalismo frio de Roth talvez o tenha impedido de ver isso (e possivelmente de enxergar a si próprio, Roth-emocional-depressivo).
Futebol não é só razão. A tática, organização da equipe, é fundamental. Sem ela, só equipes geniais vencem. Mas só ela também não basta. É preciso o gesto da equipe, a plasticidade, aquilo que escapa da mecânica básica de jogo. Esse lado místico está presente em qualquer relação humana e faz parte tanto quanto o racional. Não dá para o ignorar (sem errar).
O gesto não é apenas a plasticidade do drible. Na cultura brasileira, geralmente é. Na tradição gremista, o gesto pode ser a raça, a dedicação, até a violência em campo. Mas é preciso o gesto para acender a mística, numa celebração festiva de sublimação ou catarse como é o futebol. Não é à-toa que Felipão gesticula tanto à beira do gramado, apesar de sabermos que os jogadores não compreendem grande parte do que ele quer dizer. Quem ignora esses aspectos não é racional, é racionalista, e por isso mesmo comete erros básicos de compreensão da esfera humana da qual o futebol faz parte.

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quarta-feira, abril 08, 2009


"El niño Torres" - jogando cada vez melhor
CHELSEA SURPREENDE

OS CINCO MELHORES TÉCNICOS do mundo são José Mourinho, Luiz Felipe Scolari, Gus Hiddink, Alex Ferguson e Rafa Benitez. Cada um no seu estilo. Mourinho pela compactação das equipes e capacidade de vitória, Scolari pela superação e energia, Ferguson pela criatividade e habilidade em montar grandes equipes e Benitez pela solidez defensiva e marcação-pressão.
O trabalho de Hiddink é impressionante. Com Rússia ou Coréia, Chelsea ou PSV, ele está sempre próximo do título, por mais improvável que isso possa parecer. Seus times tocam a bola, agridem, intimidam o adversário. Não têm medo do desafio. O Chelsea já tem sua cara.
É verdade que o Chelsea tem um dos melhores plantéis do mundo, e não é surpresa estar nas cabeças. No entanto, pelo momento que vivia o Liverpool, tinha certeza que o time de Benitez iria amassar os blues. Errei. O Chelsea, após sofrer um gol de grande categoria de Torres, se posicionou bem, fez a bola girar e foi buscar a vitória. Virou o placar e está muito próximo da classificação.
Resta minha aposta no Barcelona, que simplesmente atropelou o Bayern e cada vez mais parece aquela equipe campeã de poucos anos atrás, com Messi jogando o que jogou Ronaldinho aquele ano. [Minhas apostas eram Barcelona ou Liverpool. Agora só resta o Barça. O ManUnt caiu de rendimento e não parece apto ao bi; Arsenal, Porto ou Villareal não têm bala da agulha para vencer].

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segunda-feira, abril 06, 2009


CAIU ROTH, MAS NÃO É SÓ ISSO QUE IMPORTA

NÃO ME INTERESSA apenas a queda de Roth. Com ele, vai um espírito depressivo e derrotista que o impede de ganhar títulos, apesar de ser bom treinador. Seu temperamento e arrogância impedem de revisar certas situações; como Felipão, por exemplo, já faz com tranqüilidade. Com Roth, tenho certeza que não venceríamos nenhuma competição, porque o Gauchão já se encerrou [e são dois sem chegar à final] e a Libertadores não viria. A perda de Gre-Nais é muito mais importante que o Gauchão e ele não percebeu isso. Roth vai com o mesmo número de títulos importantes que venceu antes de chegar: nenhum. Mais de dez anos de carreira já deveriam tê-lo feito repensar certas atitudes que se repetem enfadonhamente.
O problema é o que vem aí. Pode ser pior. Como Roth, ao menos tinhamos organização, uma equipe-base, a garantia de que o time tinha ao menos espinha dorsal [apesar da insistência do treinador em desmanchar sua própria obra]. Com Geninho e outros ruins, podemos não ter nem isso.
E o pior não pára por aí. A coisa parece apontar mais acima: o Grêmio está parecendo sem rumo com essa direção. Sabemos que uma direção ruim é suficiente para afundar o clube. Com Obino, tínhamos excelente equipe e quase caímos no primeiro ano. No segundo, ele terminou o serviço. O efeito-Kroeff já se faz sentir.
Odone - com todas as restrições que merece - sabia administrar o clube. Era um Presidente de personalidade, fibra, responsabilidade. Kroeff só mostra indecisão e amadorismo. O clube está uma bagunça: sem hierarquia, comunicação e organização. Suas boas intenções de investir [com a contratação de bons atacantes] está sendo soterrada por uma postura confusa e perdida. As desavenças públicas com jogadores e treinador, o planejamento estranho e incompreensível, as frases ridículas e as contradições já estão se avolumando. É preciso tomar o leme já.
Já está na hora de Fábio Koff e Cacalo, os cabos eleitorais que fizeram questão de derrubar Odone, assumirem a responsabilidade pela sua decisão. No time do Beira-Lago, houve gesto semelhante e funcionou. Espero que, dessa vez, não vejamos nosso time afundar novamente como aconteceu em 2003.

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domingo, abril 05, 2009

E LÁ FORA...

MEU TIME EUROPEU, o Madrid, está na mesma, seguindo atrás do Barça (6 pontos). Mas se há algo a ser aprendido e mantido para a próxima temporada é a presença de Juande Ramos no banco. Apesar de Mourinho e Ancelotti já terem sido cogitados, a substituição parece desnecessária, uma vez que o técnico acumula a excepcional marca de 13 vitórias e 1 empate na Liga.
Podem dizer: mas perdeu a Champions. É, mas o caso da Champions era bem mais simples: o Madrid era a equipe mais fraca e perdeu. Só isso. Enfrentou um Liverpool mais encorpado e cheio de energia que acabou atropelando. Não foi culpa do técnico.
O planejamento deve passar, isso sim, por um melhor comando na direção e sobretudo um reforço na "plantilla", que é fraca para nível europeu.

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MAIS UM GRE-NAL PERDIDO. INSUPORTÁVEL!

NÃO IA FAZER grandes comentários. Agora assisto à TVCOM e vejo 90% dos comentaristas colocarem a necessidade de saída de Roth.
Roth é parcialmente culpado pela derrota. Taticamente, errou pouco no clássico [embora, NOVAMENTE tenha inventado -- isso é insuportável]. Seu erro foi, novamente, ter depreciado o jogo e continuar tripudiando com a Libertadores. Tudo isso mostra uma situação caótica no comando do Grêmio, onde as mensagens se confundem, os conflitos aparecem, tudo fica meio fora do lugar. O problema, como falei num post lá atrás, começa de cima.
Nosso destino com Roth é o seguinte: vamos vencer os dois próximos jogos e classificar. Depois, numa das fases seguintes vamos cair. E aí Celso cai.
Por outro lado, se for para trazer Geninho, é melhor deixar o Roth. Geninho, Mário Sérgio, Joel Santana, Jair Picerni ou Nelsinho são MUITO piores que Roth. Não dá para trazer treinador que não dá mais certo em time algum. Repito: Roth, apesar de ser um técnico médio, é muito melhor que esses aí.
Sobre a derrota: é uma maldição. Parece que os anos 90 estão se repetindo ao inverso. O Inter venceu o Grêmio com a facilidade e a segurança que o Grêmio amassava na década passada. Parecia que era inevitável a vitória. Venceu porque tem dois craques que decidiram nas únicas vezes que tocaram na bola.

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quinta-feira, abril 02, 2009



ROTH, GROSSERIAS, DOUGLAS COSTA, ROBINHO
CELSO ROTH, apesar dos pesares, ainda se mostra a melhor opção para o Grêmio. Mais, na realidade, pela escassez de alternativas do que por grandes méritos. É impressionante, no entanto, a capacidade que o técnico tem de cavocar seus próprios problemas.
Todo técnico erra e acerta, isso faz parte do futebol (e da vida). Substituições ousadas podem ser genialidade ou ridículo, dependendo da situação. Roth, no entanto, abusa da sorte, geralmente fazendo suas escolhas fora do "timing" ideal. Foi assim com Diogo quando, diante de um adversário sem dois armadores (Alex, saído, e D'Alessandro) e com um time pronto, Roth resolve colocar mais um volante, desarmar seu esquema e abdicar da vitória, como se a situação do primeiro jogo se repetisse (e era substancialmente distinta). Razoavelmente perdoado pela torcida, ele agora compra nova briga desnecessária: Douglas Costa.
Douglas ainda não fez NADA pelo Grêmio. Inclusive se mostrou instável nas suas atuações. Tem habilidade, mas também estilo excessivo de peladeiro (conduz demais a bola, chama o jogo como se pudesse resolver sozinho). Entretanto, é uma promessa e vale alguns milhões. Que custava colocar para jogar com os reservas? Orteman - o indolente e quase inútil Orteman - é melhor? E por que não - depois do erro crasso do Gre-Nal, colocar Douglas para "fazer média" com a torcida em jogos vencidos ou fáceis? Roth não faz nada disso. Parece que trabalha contra si mesmo.
Que espécie de transtorno deve sofrer esse cara para se sabotar dessa forma? Por que faz tanta questão de ser odiado? Por que, quando está prestes a agarrar a vitória, parece se entregar depressivamente, reagindo como se não tivesse sentimentos e fibra? Deixo essas perguntas a um psicólogo qualquer.
O episódio dos xingamentos contra Douglas Costa é preocupante. Roth pode dizer (como diz): "lancei Ronaldinho, Diego e Robinho". É verdade, mas parcialmente verdade. Ronaldinho amargou um tempo até conquistar, na marra, a titularidade. Diego e Robinho podem ter começado com Roth, mas se consagraram mesmo com Leão. E ok, mesmo que tenha lançado, isso não invalida meus comentários que seguem.
SE por acaso Roth acha que xingar de burro e humilhar perante os colegas um jogador é uma forma correta de aperfeiçoá-lo, está REDONDAMENTE enganado. Não existe pessoa que resista ou responda bem a esse tipo de tratamento. E se é uma prática comum no futebol (portanto, não exclusiva de Roth), estamos desperdiçando talentos. Jogadores precisam de disciplina (são atletas), cuidado e instrução. É assim que se constrói uma relação saudável de confiança e respeito, não mediante humilhação, escracho, arrogância. Se Roth queria "ser durão" com Douglas, por que não sem a imprensa, de preferência no vestiário? Ninguém suporta ser humilhado, jogador de futebol ou não.
Quem é Douglas Costa? Não sei. Não o conheço. Mas sei que ele deve vir da periferia e é negro e pobre. Sabemos que os indivíduos com esse perfil no Brasil sofrem preconceito, violência, desconfiança, até brutalidade policial. Ajuda alguma coisa Roth dizer que ele "não sabe merda nenhuma"? Vejam: eles partem da auto-estima baixa, que só aumenta com a performance nos gramados e a posterior rasgação de seda da mídia. Isso não começa imediatamente e é só para alguns. Será que Roth (e outros técnicos que fazem igual) estão usando a melhor psicologia, ou são simplesmente despreparados que têm sorte vez que outra? Diante da situação, estou prestes a marcar a segunda opção. [Felipão, aliás, ensinou há muito tempo que a presença de psicólogo é fundamental para técnico e jogadores; leiam o livro "A Alma do Penta".]
O que me leva ao terceiro e último ponto. Os jogadores, diante dessa brutalidade cotidiana que começa na vida e se estende aos gramados, acabam, se conquistam o sucesso, por ignorar completamente os "professores". Ronaldo, Robinho, Adriano - todos são narcisistas claros que, tão mimados pela mídia como são, acabam por se posicionar acima das equipes que jogam e são incapazes de reconhecer várias críticas corretas (por exemplo: Adriano reclamava que "era perseguido" em 2006; mentira, todos pediam sua saída por razões táticas, não técnicas, não era nada pessoal). Uma das razões deve ser essa falta de respeito dos técnicos na base ou nos primeiros anos. Ou embotam -- e fracassam -- ou se fecham narcisisticamente e seguem tocando a vida (e a bola).
É por isso que eu leio hoje o comentário desastrado de Robinho que trocou o Madrid pelo ManCity "para ser o melhor do mundo". Robinho é obcecado por isso. Precisa preencher o seu narcisismo. Nessa história, desrespeita a própria torcida do ManCity, que só vê ali um individualista correndo para si mesmo. Ele nem se preocupa em dizer que "quer ganhar títulos". E pior: o que fez Robinho até agora? 11 gols? Isso não dá o título de melhor do mundo para ninguém; nem dribles fantásticos.
Que geração é essa de jogadores que estamos formando? Ególatras, sem auto-crítica, indiferentes a qualquer sensibilidade da torcida? São os narcisos que se defendem dos técnicos brucutus e, mais tarde, mostram seu comportamento infantil ao não saber assumir a disciplina de atleta (que determina seu comportamento em campo e longevidade) e desprezar conselhos úteis que poderiam ajudar na sua carreira. Esses negros ex-pobres que, inseguros num país em que destrata sua população carente (estigmatizando, matando, torturando, discriminando), não sabem lidar com o sucesso, pois não têm estrutura psicológica suficiente para isso. No início, não receberam; depois, ignoraram a necessidade. Alguém duvida que Ronaldo agiria diferente se ouvisse um bom conselheiro?
Mais uma vez reitero: a presença do psicólogo no futebol, pela pressão, tensão, inconstâncias, relação próxima e outras razões é fundamental. Quem despreza só pode ser burro.

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segunda-feira, março 02, 2009

TABU E TABU INVERTIDO

A FILOSOFIA MUITAS vezes usa expressões estranhas, como a de "teologia negativa". Quer dizer: quando ao negar Deus (ou simplesmente um fundamento absoluto), se está afirmando um outro ("negativo"). Essa idéia do sinal invertido que simplesmente repete o outro ao contrário pode ser expressa, por exemplo, na esquerda punitiva, que repete a direita invertendo o sinal (quando li, n'O Globo, a entrevista de Fausto De Sanctis sobre o processo penal, enxerguei ali um torquemada de esquerda). Na política idem. E etc. Derrida nos ensinou que o importante não é apenas mostrar o lado marginalizado das oposições (bom/mau, feio/bonito, civilizado/bárbaro, etc.), mas descobrir uma espécie de "voz média" que, a rigor, desarticula toda oposição.
Bem, talvez seja - e é - louco o salto que vou dar, mas, vá lá: o Milan ameaça demitir Ancelotti. E, apesar de ser geralmente contrário à demissão de treinador, acho que faz bem. Ancelotti parece ter perdido o rumo e cada vez mais se mostra um técnico desorientado, perdido na escalação e dependente de jogadas individuais dos seus craques. [Aliás, eu já teria feito isso há mais tempo; não tenho antipatia por Ancelotti, mas também não o acho grande técnico.]
Qual é o "tabu invertido"? O senso comum aponta que é sempre o técnico que deve cair; a dissidência, que não. Nem um nem outro [dois lados da mesma moeda]. Os técnicos que duram longos anos se desgastam SIM com a equipe e perdem o controle do vestiário. E o que fazem, então? Simples: montam outro time. Vejam Alex Ferguson e Arsene Wenger, dois dos técnicos mais longínquos do futebol. Cansam de desfazer toda equipe e montar outra. Ferguson chegou a mandar embora Verón, Beckham, Nistelrooy e Keane -- todos praticamente a preço de banana, só para refazer a equipe.
Quer dizer: o desgaste ocorre com jogadores e técnicos juntos muito tempo, queira-se ou não. Chega uma hora em que o clube tem que escolher. Geralmente, é o técnico que cai [mais barato, afinal]. Para alguns especiais, é toda equipe.
Com o plantel atual, creio que renderia mais ao Milan trocar o técnico e substituir alguns jogadores em idade avançada demais para equipes de ponta. Feito isso, o time está pronto para levantar novos troféus.
[O mesmo jogo de oposição/situação se aplica à discussão retranqueiros X ofensivistas, que abordei há algum tempo por aqui.]

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domingo, março 01, 2009

BURRADA SOBRE BURRADA

O TORCEDOR DO GRÊMIO teve uma sensação estranha no jogo da quarta-feira, quando recebeu um panfleto da Direção do Grêmio. Em pleno jogo da Libertadores, o panfleto pedia que os torcedores ficassem "sentados durante a partida", já que muitas pessoas "idosas" e "sem condições de permanecer em pé" poderiam não enxergar. COMO? É SÉRIO? Parecia brincadeira, mas não era. O Presidente pedia à torcida que ficasse SENTADA durante um jogo de Libertadores? [Leiam mais aqui nesse ótimo texto].
Sintoma do óbvio: essa Direção não tem nada a ver com o Grêmio. Pelo menos não com o Grêmio da Geral, da paixão tricolor, e sim com o Grêmio das cadeiras, da secação e da audiência sentada e passiva. As declarações do Presidente são seguidamente de constranger. Parece que ele não tem nada a ver com futebol. Quem sabe ele não volta pra as colunas sociais, onde estava melhor? Quando existe problema, ele começa de cima. E o grupo político do Presidente não traz boas lembranças [leia-se: FLÁVIO OBINO].
Mas o principal arquiteto do vexame do Beira-Lago foi o técnico Celso Roth. Roth não é burro, como pensam. Cansou de mostrar que sabe armar equipes. Nem defensivista. Várias vezes durantes os jogos empilha atacantes. Roth é, na verdade, CAGÃO. Tem MEDO. Medo de vencer. Como pode isso? Sei lá, pergunta pro Freud. Mas que é, é.
Você tem um time armado prontinho, que acaba de massacrar o rival mais poderoso do grupo na Libertadores, está entrosado e ainda conta com um rival desfalcado. O que você faz? Resposta: descaracteriza a equipe. Sim, pode parecer estranho, mas o medo de vencer faz com que o técnico - NÃO É A PRIMEIRA VEZ - dê de professor pardal nas horas decisivas. Para que pôr Diogo no meio-campo? Diogo é um jogador NO MÁXIMO regular, não é nem um graaaande marcador (se é pra ter ele, prefiro mil vezes Sandro Goiano) e o outro time estava com apenas UM armador e dois atacantes. Contra eles (sendo o armador ainda mediano), bastasse um volante e três zagueiros. O que faz Roth? Escala dois volantes, deixa Alex Mineiro isolado na frente e joga toda carga em Souza - que, por ser a opção ofensiva mais contundente, fica fácil de ser marcado individualmente - e Tcheco, que tem que carregar o mundo nas costas. É ÓBVIO que não ia dar certo.
No segundo tempo, você, depois de tomar um coro no primeiro sem qualquer razão e tendo equipe melhor, mantém a equipe. Até tomar gol. Aí você faz o que deveria ter feito desde o início: bota o Jonas. Mas o nervosismo e o MEDO faz com que você tropece: coloca também Fábio Santos! Para quê? Mistério! Depois de um tempo, vendo sua burrada, substitui Jadílson e volta ao estágio anterior, só que aí já queimou todas as substituições.
Roth não fez isso porque é burro. Fez porque tem medo. Tem medo nas horas decisivas. Treme. Sinceramente, boto minha mão na fogo: com Roth, o Grêmio não vai levar nenhum título. INFELIZMENTE. Torço como nunca para estar errado.

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