Mox in the Sky with Diamonds

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

E, logo depois que o Rei tomou todo poder para si e violou a confiança dos que haviam lhe entregado a posição, surgiram os lacaios a suavizar e justificar o hediondo golpe.

Hoje, as papagaiadas dos lacaios viraram cânone.

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quinta-feira, janeiro 28, 2010

A Morte

Não resta nada senão
o afiado punhal que atravessa o peito
e dilacera, por dentro, deixando apenas restos
de um desejo
de uma esperança
chama agora apagada
em cinzas,
desejo insaciável que se encontra
com o limiar inominável daquilo
que não se deixa pensar, nem cultivar
que destrói sangue, suor, lágrimas
que não congela nem ferve
apenas faz dormir, em um breve suspiro,
descansar.

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sexta-feira, janeiro 22, 2010

CONTRA AS PRAGAS

PRAGAS tentam constantemente me controlar
são pequenos insetos que grudam na pele
penetram nos poros
e entopem a cabeça de mensagens confusas
sistemáticas ordenações paranóicas
na cruzada contra o excesso.

Pois bem: é o excesso
ele e ninguém mais
que constitui a mais sincera das plenitudes do meu eu
sem ele, sou dilaceramento puro
atravessado pela violência infinita
da virtude e da mesmice.

Tenho um aspecto grotesco
e bebo o sangue dos fracos
vivo na constante corda-bamba
e tudo que me equilibra entendia.
Quem não aguenta, desista.
Não há acordo com o insaciável.
O único limite
é a plena, doce e adorável morte.

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sábado, janeiro 16, 2010

UMA FRESTA

Um momento de hesitação, um suspiro, uma curta engasgada, uma indecisão, um vazio na eficiência, uma falha, uma fresta, um pequeno logro, um tombo, um furo, um transtorno, uma rápida rouquidão por falta de voz, um aceno, um beijo: chance de interromper a catástrofe - chance para a salvação.

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sexta-feira, dezembro 11, 2009

EU

Gostaria de não ser tão estranho.

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sexta-feira, dezembro 04, 2009

ESSE BLOG É A MORTE.

ESSE BLOG MORREU.
Sua carne evaporou; seu entusiasmo descarnou.
Onde existia algum resto de humano, só há pó.
Onde existia som, o silêncio.
Esperança, o desespero.
Alegria, tristeza.
Sorriso, mágoa.

Como um crucificado, seu autor expunha o sangue em praça pública.
Hoje não é mais que um punhado de sujeira.
Onde havia um coração, hoje há um buraco
onde transitam ratos e vermes
alimentando-se da mais sincera chance de expressão
daquilo que não é a mais suprema
melancolia.
Nada: nada mais que o mais puro e sublime silêncio
expressão do doloroso vazio que estampa
a mais sincera visão do fosso nu e gélido que denominamos
realidade.

Nada mais é real senão
a inóspita insolência do mais profundo pesar
a amargura infame,
doentia machadada sobre qualquer possibilidade
da vida.

Apenas a morte
interrupção de tudo, silêncio profundo
doce mergulho no finalmente feliz não-ser
sabedoria profunda, capaz de perceber
o mais oculto de todos os segredos
viver, morrer.

Mas justamente onde surge a morte
na letra que carrega consigo a ausência
marca que se subtrai à plena presença
está o trágico acontecimento
da vida.

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segunda-feira, agosto 10, 2009

TÉDIO

A gripe. Cabeça. E o tédio.
O tédio. A gripe. Cabeça.
Cabeça. A gripe. Tédio.

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quinta-feira, julho 02, 2009

MAIS JABÁ

Tem tanta coisa legal que a gente lê que dá vontade de reproduzir... Só que a Andréa se puxou demais. Apesar de não ser nenhum Warat, queria reproduzir aqui um poema do blog, com a ressalva da minha mutilação ao estilo belamente concretista com que ele se insinua.

Tecendo Amores.

A função do amor?




Amortecedor.




Amor tecer dor?




Sim, (e)ternamente.

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segunda-feira, dezembro 22, 2008

POEMAS VELHOS

Dois poemas encontrados em um caderno antigo que completa uma década.

(Sem título)

Vocês que me perdoem
mas eu me respeito.
Adoro ser
esse psicótico
banhado em sangue
e lágrimas.

Me perdoem
mas meu sangue jovem
transpira rebeldia
Não consigo abraçar a podridão.

O que dizem que é fase
o que dizem que é idade
p'ra mim é sangue, carne e ossos.

6-7-1999.

A Marca da Destruição

Todos os dias abro o jornal
e leio informações sobre o Chiqueiro.
Sorrio para a reunião de porcos
que sujos na lama da corrupção sorriem
como se os alucinógenos que eles carinhosamente chamam
instituições
não fossem apenas pó p'ra se esquecer
que nossa existência é deletéria.
Que a cada passo que damos
vermes são aniquilados
e trabalhos eternos são destruídos.
Como se eles não soubessem
que somos animais selvagens
que vêm p'ra Terra por tragédia
e a sofrer estamos todos condenados.
Eu apenas grito:
assassinos!

14-6-1999.

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sexta-feira, dezembro 12, 2008

NÓS somos um monte de bosta empilhada. Nem mais, nem menos.

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domingo, outubro 05, 2008

DIAGNÓSTICO PERFEITO

O PROFESSOR OSWALDO MARTINS TEIXEIRA, segundo noticia o Caderno Mais! da Folha, lecionava literatura para alunos da 7ª e 8ª série da escola da Zona Sul do Rio de Janeiro. Oswaldo foi demitido por ter cometido um crime indesculpável: era poeta e, pior, gostava de poesia erótica.
Não tardou muito tempo até os cães hidrófobos do moralismo descobrirem e pedirem a cabeça do professor. Tudo aquilo era "inadequado" para seus filhos, ainda que a produção nem fosse lecionada em aula. É como se a "impureza" fosse contagiosa, perigosa doença que pode ser impregnada nos seus castos filhos e filhas. A resposta do poeta e professor foi a única plausível: a literatura erótica é comum, sempre foi, e nada há de anormal nisso.
A patrulha, no entanto, venceu, e o despachou do colégio sem maiores explicações. Fascismos, afinal de contas, não precisam de grande sofisticação na fundamentação: vivem mesmo da burrice e da mediocridade - orgulham-se disso, inclusive. Se disse apenas que uma comissão de "juristas e psicólogos" (não poderiam ser outros atores senão esses que Michel Foucault tão bem estudou na hedionda combiação psi/lex) entendeu ser caso de afastamento.
Em homenagem ao poeta Oswaldo, publico aqui trecho do seu poema que saiu na Folha de São Paulo. É impressionante como a poesia -- e filósofos como Derrida, Heidegger e até Rorty não cansaram de o dizer -- repõe a integralidade do indizível o habitando, sem precisar exercer a violência da representação. Percebam a crítica mordaz que antecipa a demissão e a explica com precisão:

"a alice no país das baboseiras
é uma garota esperta
prefere foder com a coleguinha
usar celular
batom
cortar as cabeças
dos mendigos"
Do livro "Cosmologia do Impreciso"

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quarta-feira, agosto 06, 2008

SOBRE ESCREVER

Escrever, para mim, não é exibir nem convencer: é descarregar, como cuspir algo engasgado sob pena de asfixia.

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sábado, junho 28, 2008

ELA
(inspirado no post do Juricá)

Estou onde tua mente não está. Quando queres me pegar, escapo. Tuas fantasias não correspondem à minha realidade. Sou mais do que podes pensar. Quanto mais tentas me apagar, mais apareço. Não delires: não estou na tua cabeça, estou na tua frente, te olhando. Não imagine: fale, responda.
Eu não me ofereço ao teu intelecto: é só o toque, contato, é só a proximidade que pode chegar a mim. Não tentes querer saber de mim; fale comigo, me toque, me agasalhe, entre em contato comigo. Tua cabeça jamais chegará a mim; somente tuas mãos, teus braços, teu sorriso e tua voz. Quando me pensas, só te depara com um enigma. Quanto me diriges a palavra, sentes a minha plenitude.
Eu me ofereço apenas para conversar, ser tocada, protegida ou respondida; guarde teus pensamentos para as coisas. Sou sensível e pouco inteligível.

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terça-feira, dezembro 04, 2007

O CONCEITO E A REALIDADE A PASSEAR

EU te acompanho
Na caminhada, lado-a-lado
Em passos lentos
E tu me olhas, como se pudesse
Decidir se posso parar – ou fugir
Mas teu olho
engana.
Eu fujo e fico
Dentro e fora
Indecidível, escapo da tua mão
Que teimas em me alcançar
Sou mais e menos
Teu olho não me pega
Lado-a-lado
Ainda não me engoliste.

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