Mox in the Sky with Diamonds

terça-feira, abril 14, 2009

DOIS EVENTOS BACANAS E RECOMENDADÍSSIMOS




It's only rock'n'roll, baby. But I like it. A LOT. O aguardado lançamento do segundo álbum da banda, "Antes do Céu", finalmente se aproxima. Já posso ir adiantando que é um petardo certeiro na mente. Vale a pena conferir o show dessa banda gaúcha matadora.

Mais informações da banda por aqui.

Nosso evento que envolve café, discussão e cinema entra no seu segundo ano. Os cafés do ano passado foram ótimos, na minha opinião. Contamos com gente como Ricardo Timm de Souza, Giovanni Saavedra, Neuza Guareschi, Alexandre Pandolfo e outros (eu incluso) participando e contribuindo para a excelência dos debates, sem falar das ótimas películas "Estranho no Ninho", "Estamira", "Amores Brutos", "Z" e "O discreto charme da burguesia". Contaremos com a presença, dessa vez, do Prof. Rodrigo Azevedo, que é excelente, comentando "Edukators".

Todos estão convidados!

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quinta-feira, janeiro 22, 2009

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON (EUA, 2008)
Com David Fincher [Clube da Luta, Seven, Zodíaco] na direção, Brad Pitt e Cate Blanchett no elenco, não tinha como dar errado a adaptação de um conto de S. Fitzgerald em que o personagem vive a vida ao contrário, começando velho. E não deu. Belíssimo filme que, provavelmente, abocanhará com justeza vários estatuetas do Oscar [não que isso importe muito, em todo caso...].
O que chama atenção no filme é que a trama se estabelece num universo fictício em que as relações se dão sobretudo na sua forma ética. Alguns acharão ingênuo o filme. Não se trata disso. Na realidade, Fincher filma um universo em que a alteridade de Benjamin jamais é medida, compreendida ou classificada - permanece sempre intangível [até transcendente] e é rodeada não pela curiosidade do pensamento nem pela destruição da eugenia, mas pela suavidade do cuidado. Ao longo de toda película, os personagens relacionam-se com Benjamin não mediante estranheza, preconceito, medo, mas sobretudo pelo cuidado que alimenta a relação humana. Sua alteridade permanece enigmática e insondável; justamente por isso, Benjamin tem uma vida feliz.
"O Curioso Caso de Benjamin Button", longe de ser um filme ingênuo, é, na realidade, um filme que preza pela relação humana sadia e, infelizmente, rara nos nossos dias. Grande filme.



PERSEPÓLIS (FRANÇA/EUA, 2007)
Persépolis é um filme em formato de animação que, apesar disso, é de conteúdo profundo. Traz as mudanças nos últimos 50 do regime iraniano visto do ângulo de uma menina de família "moderna", que se opunha ao Xá por ser comunista e, com a revolução, se enche de esperança pela "ascensão do proletariado". Não demora muito a vir a decepção. O regime se torna ainda mais violento e censor, a "democracia" islâmica esmaga qualquer alteridade e dissemina ódio e violência. Tudo recrudescido por seguidas guerras com o Iraque e massacres internos que, pouco a pouco, destróem o que restava de oposição no Irã. Uma bela reflexão sobre os regimes autoritários e como os relativistas culturais também podem estar estereotipando - com a boa intenção de proteger a diferença - os "outros", na medida em que também nesses lugares a violência contra alteridade está presente, assim como está entre nós.



ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO (EUA, 2007)
Excelente filme com mais uma soberba atuação de Philippe Seymour Hoffman, esse grande ator que cada vez mais se consolida em Hollywood. A história não tem um grande significado, mas a seqüência de eventos é intrigante e o diretor consegue construir o que poderíamos denominar de tragédia contemporânea, imersa no contexto do drama. A fatalidade cai aqui como um trovão sobre a cabeça dos personagens.



Vi umas bombas (isso que dá convivência com os pais) que nem vou mencionar, mas talvez por isso tenha voltado da praia com estômago meio revirado. É impressionante a capacidade de Hollywood em produzir porcarias. Impressionante.

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OS MAIS BELOS SETE MINUTOS DA HISTÓRIA DO CINEMA


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sexta-feira, janeiro 09, 2009

OS MEUS MELHORES FILMES DO ANO



2008 FOI MAIS UM ANO fraco para o cinema. Houve períodos em que desejava ir ver um filme com a minha namorada, mas, por falta de opções, deixava de ir ao cinema. A prateleira de lançamentos da locadora era tão desinteressante que ia para os antigos. Aliás, esse ano vi como nunca filmes antigos. No entanto, ao contrário de 2007, houve pelo menos um grande filme, que merece menção honrosa [índice ainda baixo]. Vão aí meus dez preferidos [o critério é pelo ano de exibição em Porto Alegre]:



5. ZONA DO CRIME ("LA ZONA" / Rodrigo Plá / MÉXICO / 2007)
Apesar de não ser uma obra-prima, "Zona do Crime" me chamou atenção pela sua fundamental importância e pelo tiro político certeiro: a existência de "mundos paralelos" onde a elite se desloca no Terceiro-Mundo para não conviver com os problemas típicos desses países [violência, insegurança]. É verdade que, como disse o ótimo comentarista Pablo Villaça, o filme é linear e unidimensional. No entanto, a temática é pertinente e bem desenhada, embora levada ao plano absurdo.
Assim como "Hotel Ruanda" [no início do filme], "Zona do Crime" cuida de mostrar os contrastes de locais onde não há o comprometimento com o bem público, mas uma espécie de acumulação pela elite que se isola do entorno e impõe uma espécie de "burgo" pós-moderno.
Um filme que vale pelo impacto problematizante que desencadeia. Foi direto para as locadoras.



4. QUEIME DEPOIS DE LER ("BURN AFTER READING" / Irmãos Cohen / EUA / 2008)
Ao contrário de 99% das pessoas, não foi "Onde os Fracos não têm vez" o filme dos Cohen que mais me impactou, mas esse filme recente. Os diretores, voltando à comédia de humor negro, estão inspiradíssimos nessa trama em que a regra é a estupidez generalizada. O mote do filme é a insensatez absurda de todos. A única frase verdadeira é pronunciada por John Malkovich, que certa hora afirma: "você é mais um de todos os idiotas que cruzo nessa vida". Ou seja: o personagem dele é realmente o único que não é estúpido em toda trama, tendo que suportar indivíduos absolutamente medíocres e burros durante o tempo inteiro, inclusive entre os colegas da CIA [como bem mostram os Cohen].
O absurdo desencadeado é o absurdo da vida real, que é governada e dominada pela mediocridade, estupidez e incapacidade de reflexão sensata pela maioria das pessoas.



3. ERA DA INOCÊNCIA ("L'ÀGE DES TÉNÈBRES" / Dennis Arcand / CANADÁ / 2008)
Terceira parte da trilogia que inicia em "O Declínio do Império Americano" e segue com "Invasões Bárbaras", essa película ridiculamente traduzida por "Era da Inocência" [o título original é "Idade das Trevas", que dá uma seqüência histórica lógica à trilogia] chamou atenção de poucos. Para mim, no entanto, foi dos melhores do ano, embora especialmente inferior às "Invasões Bárbaras".
Com alguma influência de "Beleza Americana", o filme cultiva a velocidade, o fanatismo tecnológico, o desligamento do mundo concreto, a indiferença e burocracia da vida contemporânea. O personagem - atravessado por sonhos ridículos de grandeza - é retrato do sujeito desolado dos nossos dias, esmagado entre exigências de consumo, burocracia ultrapassado e inútil e carreirismo workaholics. A personagem feminina consegue ser tão poderosa quanto a de "Beleza Americana", trazendo uma das melhores frases do cinema de 2008: "eu faço yoga, shyatsu, sou bem sucedida, ganho prêmios, faço academia, etc - o que mais você quer?" - típico delírio narcísico dos nossos dias.


2. LINHA DE PASSE (Walter Salles/Daniela Thomaz / BRASIL / 2008)
Um retrato original do Brasil. Walter Salles traz à tona personagens que ficam obscurecidos mas, como disse Jurandir Freire Costa, "carregam o Brasil nas costas". Empregadas domésticas, aspirantes a futebolistas, crentes evangélicos, motoboys. A originalidade do diretor é tratar tudo com acidez, mas sem qualquer ironia ou caricatura, com uma delicadeza e sensibilidade capaz de enfrentar a concretude desses indivíduos sem apelar a estereótipos.
Um belo retrato dessa população que vive no "fio na navalha", em permanente estado de exceção, onde cada narrativa traz enorme riqueza e os personagens são desenvolvidos em admirável complexidade.


1. A VIDA DOS OUTROS ("DAS LEBEN DER ANDEREN" / Florian Henckel von Donnersmarck / ALEMANHA / 2006)
Eis, finalmente, um grande filme - filme que ficará para a posteridade. Película que exibe a formação da ideologia/totalidade que se fecha em si mesma e delira contra toda e qualquer alteridade, reprimindo-a com violência, e a formação de um poder opaco, medíocre, sem brilho, que ofusca tudo aquilo que a ele se opõe [caso Eichmann]. Por outro lado, é também a possibilidade da HESITAÇÃO, do instante que refuga, rompe, interrompe a violência e desafia a totalidade.
"A Vida dos Outros", além de um tremendo filme político, é também um majestoso filme ético. Um filme que implica o homem naquilo que ele tem de próprio: a possibilidade da transcendência. O ato gratuito, em nome da justiça, delineada na beleza de páginas literárias [Brecht] que detonam qualquer tentativa de engessamento e opacidade de sonhos em estruturas burocráticas autofágicas e assassinas.
Certa vez Contardo Calligaris escreveu que, na sua tese de doutorado, dedicara-se a entender por que razões o homem se entrega ao fascismo, deixando-se levar pela massa e pela mediocridade ressentida. Calligaris, no entanto, afirma que ainda não consegue explicar o inverso: ou seja, por que um homem sacrifica-se pelo outro, na mais pura gratuidade. Tudo isso é "A Vida dos Outros", esse espetacular filme alemão.

...


Além desses cinco, que foram meus preferidos, alguns destaques para o melhor Batman de todos, a ótima filmagem de "Desejo e Reparação" e o vencedor do Oscar "Onde os Fracos não têm vez". As decepções ficaram com as adaptações: o médio "Ensaio sobre a Cegueira", o pastelão "O Caçador de Pipas" e os frustrantes trabalhos [que prometiam] de Woody Allen, "O Sonho de Cassandra" e "Vicky Cristina Barcelona".

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sexta-feira, dezembro 12, 2008

MINHAS CINCO PREFERIDAS DA HISTÓRIA DO CINEMA


SOU APENAS UM MÉDIO apreciador do cinema, mas já vi algumas coisinhas e andei pensando quem seriam minhas cinco musas preferidas. Ei-las:



5. AUDREY HEPBURN

Seus magníficos traços pontiagudos, uma beleza infantil e serena, diferente, um tanto exótica na sua perfeição. Frágil e linda como o cristal, seu olhar parece uma espada que penetra no íntimo e dilacera a solidez de quem olha. Hepburn é a própria fraqueza que desmonta a brutalidade na sua invencível fragilidade.




4. MARILYN MONROE

Quem não sonhou em dar uma espiada por baixo daquela saia que levanta e é contida por aquelas mãozinhas delicadas acompanhada de um sorriso ingênuo e fatal? Marilyn, além de linda, esbanja erotismo e capacidade de despertar o desejo. Corpo perfeito e rosto inesquecível, delicada e suave, absolutamente sensual.


3. BRIGITTE BARDOT

A atriz mais sexy de todos os tempos, francesinha infernal, parece a própria imagem encarnada de Afrodite, a deusa do amor. Não há como não a olhar e sentir o peito trepidar, as veias incharem de sangue, não há como não pensar em "carne" quando olhamos para Brigitte Bardot. Ela parece uma bomba de sexo pronta para explodir.




2. SCARLETT JOHANSSON

Suave e perversa, doce e fatal, infantil e sedutora, Scarlett é capaz de metamorfosear-se em poucos segundos. Seus olhos vibrantes e lábios carnudos, combinados com a perfeição de formas de rosto faz dela a número 1 do cinema atual - sensualidade extrema combinada com beleza arrebatadora. Não há palavras para descrever sua perfeição.





1. SHARON STONE

A extrema chama do inferno, femme fatale mais potente da história do cinema, uma espécie de rainha do mal do mundo feminino. Sharon Stone é a prova da perversidade divina ou da existência do Diabo, como queiram - zombando dos homens na suas formas perfeitas que sustentam a maior das forças. Uma espécie de topo da cadeia alimentar, devoradora na sua fatalidade, visão do Absoluto feito em mulher. Sua beleza é o terrível do sexo encarnado. Sharon Stone é o poder do feminino.



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segunda-feira, setembro 29, 2008

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA (O FILME)



TALVEZ AS EXPERIÊNCIAS de ler um livro e ver um filme, sejam distintas, ou semelhantes. Não sei bem decidir se uma coisa exclui a outra, ou se pelo menos a prejudica veementemente. Recentemente, "Desejo e Reparação" foi inferior a "Reparação" (McEwan); mais antigamente, nenhuma das filmagens de "Relações Perigosas", do libertino Laclos, chegou à estatura do livro (cito "Ligações Perigosas", com Gleen Close, "Valmont" e a adaptação "Segundas Intenções"). Lembro-me apenas de "O Processo", de Orson Welles, como uma obra que sintetizou bem o original, mesmo sem alcançar a grandeza de Kafka, por óbvio.
Moral da história: livros são melhores que filmes. Salvo, talvez, os filmes do Kubrick, mas Kubrick é Kubrick, e pronto.
O filme "Ensaio sobre a Cegueira" perde muito para o livro "Ensaio sobre a Cegueira".
A começar pela perda maior, embora previsível: a bidimensionalidade do livro, que exibe uma primeira camada fantástica (literalmente) e instigante, mas também uma segunda camada mais filosófica e reflexiva, esta se perdendo em grande nível na película. Ficamos apenas com os fatos brutos.
Mas essa perda era previsível: o que não esperava era um certo pudor que atravessa o filme. Com todo respeito ao Meirelles (de quem admiro "Jardineiro Fiel" e "Cidade de Deus"), é tudo muito tímido. Se algo nos mostra Saramago, é que, uma vez cegos, pisaríamos nas nossas fezes, viveríamos entre odores insuportáveis, nos depararíamos com a experiência de enterrar sem ver, seríamos sufocados por uma brancura nauseante. Tudo isso se perde no filme: é tudo muito sutil e até limpo, a sujeira e a podridão são discretas demais (a "limpeza" do Manicômio é paradigmática a esse respeito), a cegueira confunde-se com a opacidade (interessante), mas perde-se a angústia e o desespero. A película é demasiado centrada na "mulher do médico", que vê, e pouco dá do ângulo dos cegos. Além disso, é desapontante a atuação rasa e pouco envolvente dos atores, que não despertam a empatia ou o nojo do espectador.
Nesse sentido, nenhum personagem é mais insosso que o de Gael Garcia Bernal. Ator "da moda" no cinema hollywoodiano-cult, Gael não consegue passar nada, é completamente vazio no personagem que deveria despertar asco. Mesmo que não despertasse isso, mesmo que se quisesse fugir do maniqueísmo, alguma coisa deveria despertar.
Fernando Meirelles e Walter Salles são os dois diretores mais bem-sucedidos do cinema brasileiro atual. Temo, no entanto, por uma contaminação excessivamente hollywoodiana que tiraria a densidade dos seus filmes, adaptando-os ao cinema da pipoca. É uma opção, mas, a meu ver, uma opção lastimável. "Linha de Passe", filme que apesar de tudo é ótimo, já tem um pouco disso, não pela recusa da violência extrema que, a meu ver, é mérito no filme; mas por certas vezes hesitar demais, criar "climas" decisivos, enfim, truncar a vida que percorre o filme em forma de espetáculo para a platéia. "Ensaio sobre a Cegueira" logra menos sucesso: apesar de relativamente fiel ao livro, perde muito da sua densidade pelo vazio dos personagens, a ausência de bidimensionalidade e excessivas concessões para um livro que não poderia ter adaptação que não fosse de causar mal-estar.
Em suma: na realidade, o único diretor que acertaria a mão em "Ensaio sobre a Cegueira" seria Lars von Trier.

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domingo, agosto 31, 2008



BRAZIL ("BRAZIL" / TERRY GILLIAM / 1985)
Terry Gilliam, um dos comediantes do genial Monty Python, dirigiu esse belo filme que combina Kafka e Orwell, desenhando uma sociedade estilo "Big Brother" ("1984") com ênfase totalmente burocrática. Absurdos atentados terroristas constratam com uma genial antecipação da explosão do consumo e especialmente da indústria da cirurgia plástica, fato plenamente constatável na contemporaneidade.




PRA FRENTE BRASIL (ROBERTO FARIAS / 1983)
Filme brasileiro que traz bem a realidade dos anos de chumbo: combinação da felicidade da Copa do Mundo e a repressão política. Um cidadão qualquer pega carona no carro de um guerrilheiro que, por acaso, estava sentado ao seu lado do avião. No trajeto, uma milícia finaciada pela elite para combate aos "subversivos" acaba assassinando o caroneiro e após tortura o personagem buscando a "verdade". Como não há "verdade" alguma, segue ele até sua morte. Belo filme para mostrar os porões da Ditadura Militar, a repressão financiada pela elite brasileira e a ineficiência absoluta da tortura.




OS PÁSSAROS ("THE BIRDS" / ALFRED HITCHCOCK / 1963)
Filme enigmático de Hitchcock que contraste com o fantástico "Psicose" por seguir uma linha completamente distinta: aqui, em meio ao romance entre Mitch e Lydia e os duelos psicológicos com a mãe daquele, pássaros começam, absurdamete, a atacar os humanos. Os planos são bastante antiquados hoje em dia, mas, segundo os críticos, eram vanguarda à época de Hitchcock. O filme se enquadra na linhagem do absurdo, sendo por isso extremamente interessante. Mais uma obra-prima de Hitchcock.




O QUARTO-PODER ("MAD CITY" / COSTA-GAVRAS / 1997)
Quais são os limites da atividade jornalística? O jornalista tem limites éticos ou pode cruzá-los a qualquer momento? O jornalista tem consciência que muitas vezes pode abrir a caixa de Pandora?
"O Quarto Poder" é, sobretudo, mais do que um filme crítico à mídia, um filme de ética jornalística, demonstrando que a objetivação e instrumentalização do Outro serve a fins espúrios que não se justificam jamais. Mais uma grande obra do mestre Costa-Gavras, seguramente um dos meus diretores favoritos, perdendo apenas para o genial Stanley Kubrick e estando no mesmo nível de outros como Lynch ou Lars von Trier.



A ESTRADA PERDIDA ("LOST HIGHWAY" / LYNCH / 1997)
Nesses tempos em que David Lynch vem a Porto Alegre para falar de porcarias new age é sempre bom ver seus grandes filmes, recheados de perfeição estética no delírio onírico, nas dúvidas imensas e nas tramas penetrantes.
No mais, a tentação de sempre: digitar no Google: "estrada perdida explicação".

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quinta-feira, maio 15, 2008



HOMEM DE FERRO [IRON MAN, 2008, JOHN FAVREU]
Não chegando ao nível das melhores adaptações da Marvel [Sin City, Homem-Aranha, X-Men], mas também não estando entre os piores [Quarteto Fantástico, Demolidor], o filme fica nesse limbo: é divertido, mas não consegue transcender a diversão. Downey Jr. é convincente no papel de Tony Starkey, Patrow vai razoavelmente bem, enfim... Falta um pouco de sal, embora bem feitinho o filme, o que talvez seja culpa da falta de sal do próprio personagem.



O SONHO DE CASSANDRA [CASSANDRA'S DREAM, 2008, WOODY ALLEN]
Mais uma variação de Woody Allen sobre o tema do "Crime e Castigo", obra magistral de Dostoievsky. [Spoiler: não leia] Impossível falar do filme sem se atentar ao final: como em "Match Point", fica clara a influência de Kierkegaard e de toda filosofia existencialista em torno do tema da decisão, do instante que rompe a continuidade inócua da vida e muda todo seu rumo. A diferença é que "Match Point" é uma visão "pós-moderna" e cínica do tema, bastante niilista e hedonista, enquanto que O Sonho de Cassandra traz o mesmo tema olhado sobre o ângulo trágico e fatal. Bem inferior ao co-irmão, mas ainda assim vale a pena.




A ERA DA INOCÊNCIA [L'ÂGE DE TÉNÈBRES, 2008, DENYS ARCAND]
Deliciosa terceira película que compõe a trilogia de Denis Arcand que começa em "O Declínio do Império Americano" e passa por "Invasões Bárbaras" [ainda o melhor dos três], "A Era da Inocência" [título horrível que substitui "A Idade das Trevas" no original] é uma crítica mordaz à sociedade contemporânea, especialmente na sua ansiedade pela velocidade, no seu vazio existencial, no fanatismo tecnológico e indiferença geral. É o menos intelectual de toda trilogia. Lembra, em alguns aspectos, o filme "Beleza Americana", por uma formação doentia de família, mas prefere uma crítica mais abrangente da sociedade em detrimento de uma visão mais aprofundada dos personagens. Crítica, em todo caso, absolutamente pertinente.
Belo filme, o melhor dos três em cartaz.

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quarta-feira, maio 14, 2008

ESSE FILME PODE TER A MELHOR CENA DE TODOS OS TEMPOS...




Adivinha qual é?

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terça-feira, fevereiro 26, 2008

O CAÇADOR DE PIPAS ("THE KITE RUNNER", 2007, EUA)



Filme que se baseia em romance best-seller homônimo, narra a história de um membro de elite afegã que, com invasão dos russos, ainda menino, se vê obrigado a fugir com o pai e ir morar nos EUA. Passado em dois momentos -- na respectiva infância, quando tem como amigo um servo da sua idade que é seu escudeiro nas competições de pipas e, posteriormente, sofre terrível crime -- e, posteriormente, na sua vida adulta, quando traça uma "reparação" ao mal que viu e foi conivente.
Sinceramente, com já duas semanas de distâncias, considero o filme realmente fraco. No início, fiquei chocado com algumas cenas, achei algumas coisas bem retratadas; mas, bem refletido, o filme é pastelão e tudo se encaixa nas categorias do Bem e do Mal. Os russos são maus, os talibãs são malvadões; os EUA são a "Terra da Felicidade". Aplausos! "Viva nossa Guerra!". "Salve George W. Bush e suas bombas!". Tudo muito ingênuo e bobo. De "bom" caiu para "regular".


INFÂNCIA ROUBADA ("TSOTSI", 2005, ÁFRICA DO SUL/REINO UNIDO)



Conhecido como o "Cidade de Deus" africano, na realidade me lembrou mais "Falcão: Meninos do Tráfico", do MV Bill, embora sem ser documentário e baseado em uma (boa) história. Tsotsi carrega toda ambivalência desses adolescentes da classe baixa: ao mesmo tempo que demonstra requintes de extrema crueldade e desprezo pela vida, mostra, de vez em quando, extrema fragilidade e imaturidade, recheado de traumas e vivências cruéis ao seu redor.
É um filme que dá muito o que pensar pela semelhança com a situação brasileira, na qual é mais fácil demonizar esses adolescentes [a torrencial reivindicação da redução da maioridade penal é prova de que esse é o discurso majoritário] do que tentar entender de onde eles são, produto do que são e como, dentro desse "mundo" em que habitam, há de fato poucas oportunidades. Exigir um herói a cada dois nascidos é no mínimo algo hipócrita. Infelizmente, é o que pensa pelo menos 70% da classe média conservadora brasileira.
O filme venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2006.

JUNO ("JUNO", 2007, CANADÁ/HUNGRIA/EUA)



É um filme bacana. Divertido, cativante, dessas comédias em lugar que transitam para o drama. Mas é um filme para quem gosta de Belle and Sebastian. Tipo, o filme é o Belle and Sebastian.
Como eu acho os escoceses banda de bundão, o filme não marca muito. :-)
Aliás, tem uma coisa interessante: o bacanão que depois caga pro lance e vira meio malzão (egoísta, talvez) é um cara que gosta de Sonic Youth.
Nada mal: indie bom (B&S) vs. indie mal (SY).

OSCAR
Sinceramente, hoje em dia o Oscar para mim é quase totalmente irrelevante. Quando vejo que "A Vida dos Outros" ["melhor filme estrangeiro"] perdeu, ano passado, para "Os Infiltrados" ["melhor filme"], e é pelo menos 10 vezes melhor, não dá para levar a sério essa cerimônia apologética de Hollywood.

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quarta-feira, fevereiro 13, 2008

RECEPÇÃO GRINGA DO FILME EFUSIVAMENTE APLAUDIDO (INCLUSIVE EM PÉ, NO CINEMA) PELOS BOVINENSES

Notícias do Festival de Berlim, da Variety:

Tropa de elite (Brazil)
A Weinstein Co., Zazen Producoes, Posto 9, Feijao Filmes production, in association with the Latin American Film Company, Costantini Films, Quanta, Universal. (International sales: The Weinstein Co., New York.) Produced by Marcos Prado, Jose Padilha. Co-producers, Eliana Soarez, James D’Arcy. Executive producers, Maria Clara Ferreira, Bia Castro, Genna Terranova, Scott Martin, Eduardo Costantini. Directed by Jose Padilha. Screenplay by Padilha, Rodrigo Pimentel, Braulio Mantovani. Capitain Nascimento Wagner MouraAndre Matias Andre RamiroNeto Caio JunqueiraWith: Milhem Cortaz, Fernanda Machado, Maria iberlo, Fabio Lago, Fernanda de Freitas, Paulo Villa, Marcelo Valle, Marcello Escorel, Andre Mauro, Paulo Hamilton, Thogun, Rafael d’Avila, Emerson Gomes, Patrick Santos, Erick Maximiano Oliveira, Bruno Delia, Andre Santino, Ricardo Sodre.
By JAY WEISSBERG Brazil’s powerful military police are elevated to Rambo-style heroes in “The Elite Squad,” a one-note celebration of violence-for-good that plays like a recruitment film for fascist thugs. Weinstein coin was injected on the basis of the script only, but after editing was over, tyro features helmer Jose Padilha decided a rewrite was in order, tacking on an omnipresent narration that’s meant to strengthen identification but instead will alienate intelligent viewers. Though pic was Brazil’s top grosser of 2007, arthouse auds elsewhere won’t coddle to the inescapable right-wing p.o.v.
Boffo biz at home was accompanied by major debates over the glorification of brutish police methods, especially since Brazilian cops already have a reputation for
Dirty Harry-style vigilantism. On the one hand, “Elite Squad” is an honest picture of violence in the favelas, or slums, of Rio de Janeiro, and the rampant official corruption that sustains it. But pic presents its case by celebrating police
psychopaths and ridiculing any attempts at social activism, or even emotion. Charges of fascism by pic’s critics aren’t merely knee-jerk liberal reactions, but an unimpeachable statement of fact.
BOPE is the elite squad in question, a small tactical force sent into the favelas to kill without thinking (not coincidentally, black uniforms and the group’s skull symbol recall the SS Death’s Head Brigade). Capt. Nascimento (Wagner Moura) is getting ready to pass the baton of command to someone else. With wife Rosane (Maria Ribeiro) pregnant, he’s feeling a tinge of paternal warmth that could jeopardize the hard-ass heartlessness his job requires.
Parallel to Nascimento’s story is that of a couple honest police rookies, intellectual Andre Matias (
Andre Ramiro) and impulsive Neto (Caio Junqueira). Nascimento’s narration continuously comments on their progress as the two chafe under the police force’s systemic corruption. When their commander sends them into a slum rave, fully expecting their deaths, BOPE comes to the rescue, ending the battle just in time for Nascimento to get a call from his wife telling him her water broke — how’s that for timing?
Neto and Matias are so impressed with BOPE’s righteous dedication they decide to switch forces; after passing them through predictably sadistic basic training, Nascimento considers one of them as his replacement. Meanwhile, Matias tries to reconcile his studies, and relationship with namby-pamby NGO do-gooder Maria (
Fernanda Machado), with the “no emotion” requirements of the elite squad. Neto seems poised for the captaincy, but then a battle with drug dealer Baiano (Fabio Lago) changes the hierarchy.
“Either a cop stays dirty or he chooses war,” intones Nascimento’s incessant voiceover as he explains the way the system works: Regular policemen are simply on the take, social workers are hopelessly ineffectual and naive, and pot-smoking rich kids are as bad as the dealers. Whereas the cops enter the favelas to get heir payoff money, BOPE raids the slums to kill, no questions asked. After all, that’s what these scum deserve, isn’t it?
Script was co-written by Rodrigo Pimentel, himself a former BOPE officer, though Padilha encouraged improvisation throughout the shoot. Braulio Mantovani (“City of God”) was signed as script doctor, but together with the helmer, they changed the entire structure in the editing process, adding the problematic voiceover, presumably in a bid to bring one character’s mindset to the fore.
Perfs are suitably intense but, like the pic itself, lack any kind of nuance.
Lula Carvalho’s camera never stops moving, bouncing and swerving with such unmodulated motion that auds will need to find their sea legs. More tempered lensing would have created a smoother build-up, though “Elite Squad” isn’t exactly out for the subtlety prize. Darkly saturated colors are in keeping with the general air of danger and militaristic cool.

Camera (color), Lula Carvalho; editor,
Daniel Rezende; music, Pedro Bromfman; production designer, Tule Peake; costume designer, Claudia Kopke; sound (Dolby Digital), Leandro Lima; assistant director, Rafael Salgado; casting, Fatima Toledo. (Reviewed at the Berlin Film Festival — competing), Feb. 11, 2008. Running time: 114 MIN.
Era isso.

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segunda-feira, janeiro 21, 2008

REPARAÇÃO, DE IAN McEWAN

Confesso -- e nem é a primeira vez que faço isso por aqui -- que seis anos de Direito me endureceram completamente. De um contumaz devorador de literatura, que lia pelo menos dois ou três romances por mês, tornei-me quase insensível para esses livros. Esse verão, no entanto, decidi que iria retormar o hábito, custe o que custar. Comecei com esse livro, que tinha presenteado para a Nati sob recomendação do finado NoMínimo, dizendo-se inclusive que se tratava, provavelmente, do melhor escrito neste século.
O romance, realmente, empolga. O "realismo psicológico", como a personagem e narradora Briony descreve seu próprio estilo, é simplesmente fantástica, e uma escrita clássica e elegante mostra como não é necessário escrever um novo Ulisses [ou algo mais hermético] para estar entre os grandes da literatura.
Seleciono a seguinte passagem como exemplo:

Um segundo pensamento sempre vinha após o primeiro, um mistério gerava outro: seriam todas as demais pessoas realmente tão vivas quanto ela? Por exemplo, seria sua irmã realmente importante para si própria, tão valiosa para ela mesma quanto Briony era? Ser Cecilia seria uma coisa tão intensa quanto ser Briony? Sua irmã também teria um eu verdadeiro por trás da onda que se quebrava, e passaria tempo pensando nisso, com o dedo quase encostado na cara? E as outras pessoas, inclusive seu pai, e Betty, e Hardman? Se a resposta fosse sim, então o mundo, o mundo social, era insuportavelmente complicado, dois bilhões de vozes, os pensamentos de todo mundo a se debater, todos com igual com igual importância, investindo tanto na vida quanto os outros, cada um se achando o único, quando ninguém era único. Era possível afogar-se aquele mar de irrelevância. Mas se a resposta fosse não, então Briony estava cercada de máquinas, inteligentes e agradáveis vistas de fora, mas sem aquele sentimento vivo oculto, interior, que Briony tinha. Era uma idéia sinistra e desoladora, além de improvável. Pois, por mais que era muitíssimo provável que todo mundo tivesse pensamentos como os dela. Isso ela sabia, mas apenas de um modo um tanto árido; não conseguia senti-lo de verdade.

Um grande resumo, literário, do que significa a dimensão da alteridade. Mais detalhes não por aqui, mas, talvez, em algum paper.

...

O AMANTE DE LADY CHATTERLEY, DE D. H. LAWRENCE
Constava como uma das lacunas nas minhas leituras dos clássicos a ausência desse romance. É um grande livro, irrigado de uma sensualidade tremenda, que faz despertar toda corporalidade inerente à nossa atividade humana.
Longe de qualquer vulgaridade -- vulgaridade que não me faz mal, vide Henry Miller, um dos meus favoritos, mas aqui não se faz presente -- Lawrence explora, na relação entre Lady Chatterley, Connie, e o couteiro Mellors, toda a humanidade presente na relação sexual, todo esse dispositivo entre o humano e o animal que os profetas da ascese tentaram eliminar. Felizmente, não conseguiram. Felizmente, tivemos Nietzsche para nos salvar. E depois Freud, Bataille, Deleuze, Foucault e mais um monte de gente, até a Madonna.
Não pude deixar de relacionar esse livro com outro que lia simultaneamente -- O Aberto, do filósofo Giorgio Agamben -- no qual Agamben, refletindo sobre o que difere o homem do animal, próximo ao final cita Benjamin pra dizer que o sexo é o que desativa essa separação. Lawrence parece trabalhar nesse estranho vão onde recém começamos a caminhar.
O livro, que data de 1928, ainda escandalizaria alguns puritanos. Felizmente, o mundo não é mais dos puritanos. Ao menos não todo o mundo.

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O ESTRANGEIRO, DE ALBERT CAMUS
O absurdo parece ser o grande tema do clássico "O Estrangeiro", de Camus. Dele, havia lido apenas "A Peste".
Achei a obra um pouco próxima de Kafka, pela naturalidade dos eventos que vão se sobrepondo de forma monstruosa até redundar na mais completa catástrofe, perante o qual o personagem reage com sincera indiferença.
O fluxo dos acontecimentos e a vida assolada na mediocridade, a indiferença completa e a ausência de qualquer sinal de responsabilidade, tudo parece refletir a terrível angústia dos tempos de Camus. Não parece à-toa que grandes autores dessa época tenham sinalado esse clima de profundo desencantamento -- seja em um Heidegger e sua angústia como tonalidade emotiva fundamental, ou a profunda Náusea de Jean-Paul Sartre. Um livro sobre o qual terei de refletir um pouco mais.
Atualmente, (re-)lendo O Processo, de Kafka, e A História do Olho, de G. Bataille.
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"DESEJO E REPARAÇÃO"


Como eu dizia há dois posts atrás, 2008 começa com dois grandes filmes. Não tenho o mesmo rigor de lançamentos no cinema como tenho por aqui com a música por uma simples razão: via de regra, não baixo filmes. Só filmes raros. Acho muito trabalhoso e gosto de ver no cinema. Por isso, um lançamento musical chega por aqui instantaneamente, enquanto que as películas seguem a data de lançamento no Brasil [e pior: em Porto Alegre].

A rigor, eu teria que rever Desejo e Reparação. Vendo o filme menos de duas semanas após ler o livro -- pura coincidência! -- não pude deixar de, o tempo todo, ficar fazendo comparações. Ou de não querer perder minhas imagens mentais de como imaginava os personagens.
Mas, apesar disso, não posso deixar de reconhecer uma grande produção, que foi razoavelmente fiel ao livro, com boas interpretações dos atores e algumas cenas belíssimas, das quais sem dúvida a onipresente cena da praia, citada sempre, é exemplo. Como estava ainda muito contaminado pelo livro, não pude deixar de reconhecer dois problemas no filme: indicia um pouco em demasia o que fica mais realmente misterioso no livro, e deixa de explorar a agressividade das cenas de guerra do romance, que mostram o horror da 2ª Guerra Mundial. Fora isso, tudo é muito bem feito, inclusive a "adaptação" no final.

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"A VIDA DOS OUTROS"




Filme maravilhoso. Longa alemão de 2006 que só agora chega a nós, trata de um membro da Polícia Secreta da Alemanha Oriental que faz uma escuta na casa de um escritor socialista, procurando algum indício de "traição", mostra como todas as Totalidades são perigosas, inclusive as de esquerda. No final, os dispositivos do poder são tomados por burocratas sujos que formam uma elite corrupta e desprezível. É a pulsação do humano -- pulsação do concreto -- que mostra um nó que vai se apertando ao longo do filme, até atingir seu ápice no final. Um nó surpreendente, mas que vai se tornando imperativo até virar inevitável.
Realmente, eu não quero contar mais. Vá lá e confira.

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quinta-feira, janeiro 17, 2008

MINHA EXPLICAÇÃO

Cinema vazio (1)
O número de espectadores nos cinemas no Brasil foi menor em 2007: 88.623.940 pessoas foram às salas de cinema no ano passado - uma queda de 2,9% em comparação a 2006, que alcançou 91.276.579. Já a renda bruta no ano ficou em R$ 707.362.128 - em 2006, foi de R$ 701.376.000.
Esses são os números finais do mercado de cinema no Brasil, divulgados na semana passada pelo Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Município do Rio de Janeiro - que mantém o único banco de dados da indústria contínuo desde 1992. As informações se referem às bilheterias dos filmes lançados até a última semana cinematográfica de 2007.
- Podemos ver que a queda do número de público foi ainda maior do que estimávamos. O número de espectadores de cinema nacional caiu em 0,8% em relação ao ano anterior - analisa Jorge Peregrino, presidente do sindicato.

Cinema vazio (2)
Do total de espectadores que foram às salas de cinema no Brasil em 2007, apenas 11,1% assistiram a filmes brasileiros - cerca de 9,85 milhões de pessoas. Em contrapartida, o número de filmes brasileiros lançados subiu de 73 em 2006 para 93 em 2007 - crescimento que não se refletiu, porém, em aumento de público para a produção nacional.

(ZH, hoje).

Certamente os especialistas devem estar cheios de explicações comerciais para a diminuição da bilheteria nos cinemas durante os últimos dois anos. Mas eu tenho uma também: não me lembro de dois anos tão fracos para o cinema quanto 2006 e 2007. Basta ver que o cinema -- que era das principais pautas desse somepills -- foi mingüando, mingüando, até estar praticamente desaparecida. Com pouquíssimas honrosas exceções [Cartas de Iwo Jima, por exemplo], pouco ou nada se viu de elogios à terrível safra que nos despejou Hollywood [que, bem ou mal, é a fonte principal] nos últimos dois anos.

Uma boa notícia, no entanto: acabo de ver dois filmes qualificáveis como não menos que excelentes - "A Vida dos Outros" e "Desejo e Reparação". No próximo post, uma resenha de ambos.

Trilha sonora do post: New Order, "Bizarre Love Triangle".

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