Mox in the Sky with Diamonds

Terça-feira, Agosto 19, 2008

REALIDADE NAUSEANTE

Nenhuma metáfora conseguiu se apropriar da noção de "realidade" mais expressivamente do que a "náusea", de Jean-Paul Sartre. No seu belíssimo romance (um dos meus livros favoritos), Roquentin subidamente sente a presença sufocante do mundo ao seu redor, extirpando qualquer resíduo de dúvida cartesiana em detrimento de uma tonalidade emocional que induz o "absurdo" do mundo: a náusea. Ao perceber que as árvores estavam ali para além da sua vontade, Roquentin sente de repente a realidade arrebentar quaisquer esquemas intelectuais que tentem a prender, vomitando sua presença independente do sensível olfato dos criaturas humanas.
Por vezes, essa realidade dói. Seu peso é terrível. Levinas problematizou ainda mais a questão ao colocar à frente disso a questão do Outro, traumático e enigmático, irrompendo e exigindo, na carne-e-osso do seu Rosto, a assunção da responsibilidade ética, que o lituano-judeu e Derrida não hesitam em caracterizar como "infinita".
É isso. É esse o peso da vida. É essa sua loucura, sua extravagância, seu excesso duro de lidar. A consciência desse excesso (que poderíamos chamar: consciência moral) é o que me torna mais sério e carrancudo do que gostaria; que me tira a leveza e a sutileza. Gostaria de ser mais tranqüilo, de levar as coisas menos a sério, mas não posso, na outra mão, compactuar com a hipocrisia e a violência. É esse desejo de justiça e de respeito à diferença que, desde muito jovem, me animava. Embora na forma bruta, essa intuição sempre esteve presente em mim e não era à-toa que me enojavam os personagens hipócritas, os moralistas, os inquisidores e os conservadores em geral.
No entanto, hoje me sinto um pouco chato, pesado demais, e luto para não me tornar ressentido ou cegamente revoltado. É preciso também hospedar a alteridade do medíocre para sobreviver, apesar da (demasiado) humana raiva que sinta dessas pessoas. Um pouco de riso faz bem.

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Segunda-feira, Agosto 18, 2008

FALAR O QUÊ? - CUSPIR!!!
Já me detive sobre o assunto com uma abordagem mais técnica, procurando explicar o funcionamento antropológico e as conseqüências ético-políticas da abordagem da Zero Hora sobre o tema. Escrevi um artigo sobre o tema publicado no jornal.
O tempo acabou. Agora só me resta cuspir. Não tenho mais paciência para tolerar isso. Só posso insultar: NAZISTAS! NAZISTAS! NAZISTAS! O momento da justiça parece passar entre os nossos dedos: parece que precisamos usar da violência (verbal) para acordar essa nojeira coletiva que vem sendo escrita sobre o tema. Não há mais tempo para agüentar, vou vomitar: NAZISTAS! NAZISTAS! NAZISTAS! Escória da humanidade! Perversos! Higienistas facínoras! Tenho nojo de vocês e de todo lixo que sai dessas páginas. Cansei de ser compreensivo; minha paciência esgotou. Vocês são a mesma nojeira que fabricou os campos de concentração! O mesmo lixo anódico e medíocre que exterminou judeus, ciganos, comunistas e deficientes. Vocês estão junto com eles, na mesma pilha de merda da história. NAZISTAS!

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ABRINDO A SEMANA

Música leve, para acalmar os ânimos (meio exaltados por aqui): a doce Allison Goldfrapp, na faixa de abertura do seu novo álbum. Vale a pena dedicar 4 minutos e 10 segundos para deixar fluir essa linda voz e o violão dedilhado.



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Quinta-feira, Agosto 14, 2008

HISTÓRIA NARRATIVA

Que a história não é um "ente" com vontade própria, que Hegel se equivocou e que toda filosofia da história pode parir totalitarismos é algo que parece cada vez mais evidente. A filosofia (pós-)moderna tem sempre buscado enfatizar contingência, acaso, decisão, responsabilidade contra uma transcendência "vertical" ou um determinismo qualquer.
Temos, portanto, uma história "narrada", sempre espécie de narrativa que se alimenta de mitos e perspectivas. Foucault provou ad nauseam que a origem é "cinza", partindo de "emergências" ou "acontecimentos" para traçar suas genealogias. A linearidade é uma fantasia mítica.
Chama atenção, agora, os destinos da nossa narração da história. Estamos realmente acreditando que o comunismo decaiu e o liberalismo tornou-se vencedor porque estamos repletos de democratas e defensores das liberdades individuais. Esquecemos que o grande cerne da derrota do comunismo -- derrota cantada desde o primeiro momento -- é o egoísmo humano, a tosquice e a cretinice, a natureza "canina" (desculpem os cães) do homem, a incapacidade de partilhar e sentir a dor do Outro. Esses, sim, medíocres, é que provocaram a derrota do sonho comunista, "orgulhosos" da sua propriedade privada, da sua exploração econômica, da desigualdade e da hierarquia social. Foram esses canalhas que patrocinaram golpes à exaustão, torturaram dissidentes comunistas e alimentaram nazismo e fascismo. Os poucos liberais genuínos -- os poucos generosos que liam Dewey, Rawls ou Keynes -- são pura exceção. Não foi por ser regime totalitário que o comunismo perdeu; foi por ser um regime solidário.
São esses mesmos vermes canalhas que hoje imprimem o ritmo da nossa sociedade: gestão burocrática (ainda que uma burocracia disfarçada de discurso "modernete" da Administração), primazia do quantitativo e da técnica, disciplina dos corpos, biopolítica eugênica, indiferença social, despolitização, narcisismo e selva econômica.
Todo mundo sabe que compartilho poucas crenças com a esquerda tradicional. Sou anti-marxista. Vejo semelhanças entre comunismo e nazismo. Prezo as liberdades individuais. Mas não posso deixar de lamentar que as pessoas não enxerguem mais a diferença entre esquerda e direita, não percebam que existem os cínicos que gozam com a desigualdade e a injustiça e os rebeldes (às vezes ingênuos, às vezes burros) que estão preocupados em escovar a história a "contra-pêlo", em dar voz aos vencidos. Não é possível que as pessoas não percebam mais a distância que separa os que se preocupam com o Outro e aqueles que estão totalmente indiferentes, inertes, divertindo-se com a situação e destilando prosa cínica.
Preocupo-me com a minha geração e muito mais com as seguintes, porque a queda do comunismo fez muitos dos meus contemporâneos ingressar no discurso cínico, na razão opaca, escondidos atrás de ironias e, no fundo, gozando. A queda das "metanarrativas" abriu espaço para o niilismo total, para a indiferença, para a "festa da Totalidade". Estamos confundido os liberais democratas, os preocupados com os Gulags e a repressão política com os hipócritas e cretinos que se lavam com a indiferença, perpetuam a injustiça e destróem sem escrúpulos.
O discurso marxista morreu. Alguns ainda não acreditam na lápide, mas ele está lá, enterrado. Mas o desejo de justiça, a consciência moral e a indignação com o insuportável permanecem. Ele é que nos separa dos hipócritas e corvos que perpetuam a servidão.
É a loucura por justiça que nos alimenta e não nos deixa morrer.

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Terça-feira, Agosto 12, 2008

A ARTE SE MOVE, QUEIRAM OU NÃO

A coisa mais engraçada nos fundamentalistas e conservadores da arte é que eles estão destinados à frustração permanente. Tornam-se cínicos, irônicos, autistas, idiossincráticos ou revoltados. Não importa. Encontram alguma estratégia de evasão.
Se está correta a hipótese de que a filosofia sempre teve pretensão de ser uma Totalidade que representa o mundo como um espelho, arquivando nas respectivas pastas os "objetos" percebidos e deduzidos por esquemas lógicos, o certo é que, como tantas vezes afirmou o Professor Ricardo Timm (cujas lições vou absorvendo aos poucos, mesmo sem ouvi-lo há algum tempo) em aula, a estética jamais foi aprisionada. Por isso, sempre foi tida como superficial e desnecessária. É impossível aprisioná-la.
Muitos movimentos sectários tentaram reduzir a arte a si mesmos, eliminando todo resto como anacronismo ou lixo. Nenhum foi capaz. Nenhum será. A arte nasce dessa polifonia irredutível, da pluralidade incontrolável, da capacidade tipicamente humana de jamais deixar de exercitar o atrevimento, não importa o grau do terror. Todo totalitarismo tem suas obras de contestação, seu Outro subversivo, seus "versos satânicos". É inevitável. Nem mesmo a crueldade humana conseguiu impedir a arte de ser atre-vida. Não serão os conservadores ou os dogmáticos que conseguirão. Felizmente, vivemos numa democracia e há espaço para todos.
Fico pensando nisso quando ouço os tantos conservadores do rock falar. Não são só os que lêem porventura esse blog. São muitos, muitos mesmo. Formam praticamente uma tribo. Uma tribo que acha que o rock vai até o final dos anos 70 e, a partir de então, nada se salva. Acham que Beatles, Stones, Led, Pink Floyd, Neil Young, Bob Dylan e The Who esgotam o assunto.
"Data vênia", meus amigos, não concordo. Gosto da maioria dessas bandas (das citadas, todas, embora Led um pouco menos). Mas tem muita coisa que vale a pena depois. É bom ouvir a tosqueira underground norte-americana dos anos 80 e 90 (Pixies, Nirvana, Pavement, Flaming Lips), é bom ouvir os que ousaram combinações várias com eletrônica (de Nine Inch Nails a Massive Attack, de Prodigy a Garbage, de Primal Scream a Portishead), é bom ouvir os que criaram gigantescas paredes de guitarras encontrando formas novas (My Bloody Valentine, Slowdive), enfim, é bom variar. E, quando a própria banda é genial o suficiente para se reinventar (Radiohead, U2), nós reconhecemos e gostamos. Não adianta querer nos prender na gaiola de ferro do dogma do "rock". A gente gosta de coisas novas. Gostamos de Beatles e Pink Floyd, mas também gostamos de Bright Eyes, Guillemots, Mercury Rev, Jesus and Mary Chain, Deerhunter e M83. Assim como gostamos de Da Vinci, Dali, Goya, Velasquez, Zurbarán, Picasso e Andy Warhol. E de Baudelaire, Byron, Rimbaud, Poe e Rilke. Ninguém nos aprisiona.

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Segunda-feira, Agosto 11, 2008

SORRY, LIAM

LIAM GALLAGHER declarou que não tinha nada contra o "Coldplay ou o Radiohead", mas apenas achava que seu público era formado por "pessoas feias" e que "pareciam não estar se divertindo nos shows". Disse que não gostava de bandas novas e continuava ouvindo Neil Young, Beatles, Stones, Kinks, Pistols e no máximo Stone Roses.
Liam, a gente continua ouvindo Beatles, Stones, Kinks, Neil Young, Pink Floyd. Mas a gente também quer coisas novas. Gostamos pra caralho dessas bandas, admitimos que ninguém supera Beatles e Stones, mas gostamos de conhecer mais e mais variações. Assim como o cinema não é só "Laranja Mecânica" ou "Cidadão Kane", a música (o rock) não é só Neil Young ou Bob Dylan. Gostamos de guitarras, boas melodias, refrões suculentos e letras rebeldes. Mas também queremos "Filhos da Esperança", "Crash", "Dogville" e "21 Gramas". Queremos Deehunter, Coldplay, Silversun Pickups e Grizzly Bear. Liam, se tu é conservador, deixa as bandas novas em paz, porque pelo teu raciocínio o Oasis não teria vez à sua época. Dá um tempo.
Te aconselho, enquanto isso, a ir a um show do Radiohead e um do Coldplay. A primeira constatação - absolutamente óbvia -- é que o Coldplay é totalmente mainstream e provavelmente nem no show do Oasis tem tantas gatinhas ("Yellow", hoje em dia, é mais pop que "Wonderwall", pois as gatinhas de 1997 começaram a ficar gordinhas -- faz dez anos, velho!). Depois, vai a show do Radiohead. Provavelmente tá cheio de gente feia, mas tu vai ver que eles se divertem pra caralho! Tipo, não conheço uma pessoa que não tenha sentido ORGASMO depois de ver o inesquecível show dos caras.
Vai lá e quem sabe já aprende novos truques. Que os caras são bons, eu garanto.

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Domingo, Agosto 10, 2008

ESPETACULAR DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Finalmente uma decisão que vale a pena. Reproduzo um bom editorial da Folha sobre o tema hoje (domingo):

Editoriais

Um par de algemas
Proteção aos direitos individuais dos acusados envolve problemas mais amplos que o risco de execração pública

FOI UNÂNIME a decisão do Supremo Tribunal Federal limitando a circunstâncias de
"evidente perigo de fuga ou agressão" o emprego de algemas pelas autoridades.Diferentemente do que possa parecer à primeira vista, o julgamento
não foi desencadeado pelas espetaculares detenções dos investigados na Operação
Satiagraha. Foi um pedreiro de Laranjal Paulista, condenado por homicídio em 2005, o autor da ação.Seus advogados argumentavam que o fato de estar algemado diante do júri reforçava a impressão de sua culpabilidade. Determinando a realização de novo julgamento nesse caso, os ministros do STF reafirmaram a idéia de que todo réu é inocente até prova em contrário.A menos que se queira viver sob um regime de permanente arbítrio e delação totalitária, o princípio não tem como ser contestado -embora, nos últimos tempos, mostre-se importante relembrá-lo.Se o tema ganhou repercussão, isso se deve menos ao caso específico examinado no STF do que à série de críticas suscitadas pelo espalhafato policial na repressão aos crimes do colarinho branco. Nesse contexto, os ministros decidiram editar uma súmula, ainda a ser votada em plenário, para que a orientação quanto ao uso de algemas seja seguida nas instâncias judiciais inferiores.Tratada com louvável sensatez no plano jurídico, a questão das algemas assumiu, entretanto, um destaque desproporcional nas atenções da opinião pública se levarmos em conta uma realidade muito mais vasta, e que cabe
classificar de hedionda, no que diz respeito aos direitos dos acusados e dos presos no país.Nem sequer é preciso mencionar o cotidiano de intimidações policiais vivido pelos habitantes das periferias, onde a barbárie do crime organizado é a maior, mas não a única, violência contra os direitos do cidadão.No plano mais circunscrito da Justiça formal, é certamente incalculável o número dos réus que, sem assistência jurídica adequada, esperam presos um julgamento a que teriam direito de aguardar em liberdade.Ainda mais grave é o caso daqueles que, com penas já cumpridas, permanecem encarcerados pela ineficiência e pela complicação do sistema judicial.Para corrigir este abuso -bem mais cruel e revoltante do que o uso das algemas- noticia-se, já não sem tempo, a iniciativa de criar mutirões organizados pelo Conselho Nacional de Justiça, com funcionamento previsto a partir de setembro.Não se trata, evidentemente, de confundir a defesa dos direitos individuais com qualquer tipo de benevolência com o crime. A impunidade dos delinqüentes e o abuso das autoridades são faces da mesma moeda.Qualquer que seja a classe a que pertençam, a ineficiência do sistema ajuda os culpados e prejudica os inocentes. Lentidão e desigualdade manietam as ações da Justiça no país; um par de algemas invisível, na verdade, do qual não há súmulas capazes de libertá-la a curto prazo.

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Sexta-feira, Agosto 08, 2008

OBAMA MESSIÂNICO?

A maioria dos entusiastas de Barack Obama tem repetido que o candidato à Presidência dos EUA não é um messias. Faz-se questão de retirar qualquer véu de especialidade, temendo uma reação desfavorável do eleitorado conservador.
As reticências aos messiânicos são plenamente compreensíveis. Depois que encaramos os totalitarismos do entre-guerras, a ordem liberal tornou-se espécie de dogma inatacável, sempre preferível às experiências revolucionárias da direita e da esquerda. O efeito no Direito, por exemplo, é uma super-inflação narcísica do discurso constitucionalista a ponto de querer reduzir a política ao cumprimento da metas constitucionais, como se o texto fosse "dirigente" e capaz de induzir o futuro. Na política, o candidato viável deve se adequar ao status quo e, no máximo, pregar um reformismo moderado. É o tédio, então, que tem sido propriamente a emoção democrática por excelência.
É evidente que isso não é ruim. No entanto, não podemos desprezar de todo a figura messiânica, essa que tanto interessou a Walter Benjamin e hoje é destaque na obra do seu seguidor Giorgio Agamben.
Obama tem se destacado exatamente pelo seu caráter "messiânico", e não pelo seu caráter reformista. Reformistas com propostas de reconciliação entre negros e brancos, trabalhadores e empresários, homens e mulheres, meio ambiente e produção, podem surgir a qualquer momento. Basta ler Richard Rorty para ver que ali está todo embrião da revitalização do "sonho americano" (do american dream, e não do american way of life) utilizado por Obama nessas eleições. O que empolga Obama é que ele desafia o modo atual de fazer política, ousando o tempo inteiro contestar aquilo que acredita equivocado sem dar um passo atrás. Seu lema, a "audácia da esperança", é o próprio rompimento com o tempo cronológico e ressurgimento do tempo da qualidade, do "agora", do instante que rompe com a história.
De tudo que Obama fala, o que mais fica e empolga as pessoas é o messianismo desse rompimento, do "Yes, we can", ou seja, podemos sim agarrar o momento e mudar, a história não nos governa, podemos romper com o que está aí, com o conservadorismo, com a hipocrisia, com o conformismo (para o qual colaboram blogs políticos cínicos). Seus discursos não são diplomáticos; são messiânicos. Obama substitui o tédio democrático por uma espécie de esperança de rompimento.
A esperança que Obama desperta não é a mesma que Lula despertou, anos atrás, embora seu lema fosse "esperança vence o medo". Lula já vinha de um recuo estratégico, aliando a setores conservadores e aderindo a um plano econômico relativamente conservador. O que elegeu Lula foi exatamente o seu pragmatismo. Com Obama, as coisas são inversas. O que tem causado furor e adoração é exatamente sua ousadia, sua coragem, sua capacidade de falar fora do vocabulário político tradicional.
Se isso o elegerá, não sei. Há outros blogs - vários linkados aqui - que podem analisar muito melhor. Mas, pelo que tenho acompanhado e visto em vídeos de Obama, é sua "audácia" que tem despertado sucessivas paixões e rompido com o quadro entendiante tradicional.
Vejam a ênfase no TEMPO do discurso a seguir:


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